sábado, 7 de fevereiro de 2009

Ajuda a navegacao..

Para os poucos, mas dignissimos, seguidores desta viagem...

Tenho estado pouco tempo na internet. Mas escrevo sempre o meu diario de viagem. Asssim, que vou publicar menos vezes, mas talvez aos magotes!

Podem ler tudo fazendo scroll na pagina, ou simplesmente aproveitar estes links para clicar e ler na ordem cronologica. Depois basta carregar em "pagina inicial" (ou "home"), no fundo do articulo-pagina, e voltar a pagina inicial.

Beijos e abracos. Tenho saudades.

Londres: caos e neve!

Estou n aIndia. Chegada a Delhi. Primeiras impressoes.

India, viver no limiar da sobrevivencia

(Ignorem essa coisa que aparece sempre no fim de todos os textos a dizer "Leia o artigo completo CLIC". Essa funcionalidade nao esta a funcionar...) Leia o artigo completo CLIC

No limiar da sobrevivencia: experiência sentida

Recentemente um amigo londinense revelou-me um dado estatístico que dá que pensar: para que todos os habitantes da Terra actual vivessem segundo padroes de consumo dos estado-unideneses seriam necessários cerca de 3 planetas!

É um daqueles dados impressionantes que faz pensar algum tempo. Não muito. Não muito porque é um dado teórico, que não sentimos, não apalpamos, nao vivemos. Não a maioria de nós, no nosso mundo ocidental do norte, chamado o 1º mundo, que mesmo para quem não é rico ainda assim tem o básico. Mas o básico segundo que padrao?!

No nosso mundo rico, do qual nos queixamos constantemente, este tipo de dados é-nos trazido por entre torrentes de informaçao acerca das mil e uma desgraças do mundo, desgraças as quais nem registramos, porque sao muitas, constantes, rotineiras, e sobretudo longínquas. Sim, há sempre noticias de muita gente a morrer despedaçada por guerras, ou decomposta por doenças, ou sugada pela fome. Mas sao noticias, imagens sem cheiro, numeros sem tacto. Quantos de nós tem contacto directo com isso? Não sabemos, porque não sentimos. Não sentimos porque não vemos. Não sentimos porque estamos demasiado longe, tal como muitos outros deixam de sentir porque convivem, demasiado perto.

Segundo o último senso, de 2001, Delhi tem mais de 12 milhoes de Habitantes. E está em crescimento. Tal como se passou em Portugal entre os anos 60 e 90, e tal como na maioria do mundo actual, há imensa gente a imigrar dos campos para as cidades, principalmente para as grandes cidades, principalmente para as capitais. Vêm a fugir da pobreza (ou miséria) do trabalho agricola dos campos e aldeias. Ou da falta de prespecticas e oportunidades de realizaçao individual que esses lugares apresentam, e que o cinema e televisao sao tao habeis em propagandear, fazendo as pessoas sonhar , e o sonho faz as pessoas andarem...

Mas em Portugal essas pessoas alimentam bairros sociais, mais ou menos pobres, mais ou menos guetos. Alguns têm problemas com a droga (os bairros ricos também), as escolas onde vao sao ditas problemáticas, aparecem psicologos pagos pelo Estado para tentar solucionar alguma coisa, etc., mas não costuma haver muita fome. O que há é discriminaçao social devido a poderes de compra e nivéis culturais distintos. É dessa forma que definimos as castas na Europa. E sim, isso é tremendo, e até faz com que gente se prostitua e roube só para poder comprar uma roupa mais na moda, ou um carro mais impressioannate. E todos nos sentimos muito incomodados se não temos pelo menos um quarto só para nós. Queremos muito espaço, muita comida, muitas coisas... Mas vejamos o mundo.

No Brasil essas mesmas pessoas alimentam favelas, o crime organizado, muitos trabalhos muito mal pagos. É pior.

Em Delhi essas pessoas alimentam directamente as ruas da cidade. Habitam as ruas. Os cantinhos todos da maioria das ruas, especialmente as principais. E quando digo as ruas refiro-me aos passeios e estradas! Na melhor das hipoteses a um qualquer mini beco imundo. Há centenas de milhares (centenas de milhares) de pessoas a dormir no passeio em todo lado, a qualquer hora, inconscientes de toda a poluiçao de todos os tipos, que aqui é o normal. Todos os sitios têm gente na rua. Muita dessa gente não tem casa, vive ali mesmo. Come, dorme, compra e vende, trabalha, caga e tem filhos ali mesmo, no passeio, ou até na própria estrada. Alguns dormem tao despojados no cimento poeirento que parecem mesmo mortos. Alguns se calhar estao!

Há sempre muita gente, em todo lado, a fazer de tudo. Qualquer trabalhito que em Portugal é feito por pouquissímas pessoas, ou ate por uma máquina, aqui é feito por muita gente, gente que recebe por isso quase nada. E muita gente nem se percebe o que raios fazem. Creio que muitos não fazem muito mais que deambular! O trabalho, a Vida aqui tem outro valor. MUITO mais baixo. Quase nulo. E só assim se pode compreender que um gajo europeu de classe média e sem muito dinheiro possa vir cá e ter um taxi com motorista-guia à disposiçao 24 horas por dia. Custa menos que ir do aeroporto ao Marquês de Pombal... Esse motorista trabalha 7 dias por semana e se for preciso atravessa o país a passear o turista, seguindo os caprichos deste. Tem de alimentar a mulher e 4 filhos, e sente-se muito feliz porque não é um dos muitos sem casa, aos quais tenho estado a referir-me.

Ao ver isto em directo, in loco, ao tocar, cheirar e sentir, de repente os numeros ganham realidade, peso, emoçao. Só nao é mais porque é tao incrivel que nem dá para entender bem. Só não é mais porque temos capas emocionais protectoras que nos bloqueiam a empatia, para não sufocarmos! Ainda estou na fase em que tudo isto me parece algo surreal, diferente, até interessante, incrivel.

Se um Europeu mal (ou melhor, bem) acostumado como eu tivesse de repente que viver essa realidade por algum tempo, digamos que uns meses, acredito que o que aconteceria seria mais ou menos isto: 40% de possibilidades de morrer de alguma doença rápidamente. 40% de hipoteses de adaptaçao. Afinal o ser humano é incrivel na sua capacidade de adaptaçao e se sobrevivesse aos primeiros meses muito possivelmente até ficaria mais forte. “O que não mata engorda”. Ou ao menos talvez nos quiexassemos menos. Agora, a questao é? Será que isto vale realmente a pena que nos habituemos? 20% de possibilidades de suicídio! Porque ver e vaguear por perto disto não nos permite compreender a sério, nem muito menos suportar aquilo que é viver assim. Se é que isto é viver. Não, não é, isto é sobreviver. No limiar da sobrevivencia.

Agora sim, isto dá que pensar! Porque dá para tocar e sentir.
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Estou na Índia. Chegada e Delhi.

Quando cheguei a Sao Paulo, no Brasil, ia assustado. Ia sozinho, tinha passado o mês anterior a sofrer uma pequena lavagem cerebral de muitos conbhecidos que me “bondosamente” me avisavam de todo tipo de perigos que o Brasil oferecia, do tipo “cortam-te os dedos para te roubar os anéis”. A minha maneira, cheio de descontraçao e estupidez natural, pouco ou nada preparei. É perguiça e desleixo mesmo. E optimismo e excesso de confiança. Em geral acho que tudo vaio correr pelo melhor, e o melhor é ir e logo se vê, tudo se resolve... E resolve mesmo, mas isso tem um preço. E geralmente é bastante fácil de contabilizar, porque é monetário. Quando cheguei a Sao Paulo era Domingo pelo que estava quase tudo fechado. Pelo menos a escola de yôga onde eu ia fazer o estágio profissional estava fechada, assim que não havia possibilidades de orientar-me por lá. Infelizmente tinha-me esquecido da direcçao da casa onde ia ficar. E do numero de telefone! Assim que vi-me atirado para o meio da rua naquela que para mim era, por preconceito, uma cidade infernal! Quando me apercebi da situaçao fiquei com MUITO medo. A minha reacçao ao panico foi simples: olhei em volta, procurei um Hotel com bom aspecto e entrei nele. Felizmente estava num dos melhores bairros da cidade (o que, pelo aspecto, eu não diria) e mesmo em frente a um dos melhores hotéis, um de 5* que eu já nem me lembro o nome. Entrei e pedi um quarto, tomei banho e imediatamente senti-me bem. Baixei ao bar, pedi acesso a internet e logo encontrei on line a dona da casa onde ia ficar. Afinal a casa era na mesma rua do Hotel, a um quarteirao de distância! Menos de dois meses depois tinha percorrido sozinho e a pé muitos Km de ruas más e muito más da cidade, sem grandes receios e sem que se passasse nada.

Ontem de madrugada cheguei a Índia.

Sobre a Índia nunca ouvi grandes histórias de violência. No entanto, sobre Delhi, quase só ouvi coisas do tipo: “é asqueroso”; “é horrivel”; “fiquei um dia e fui logo embora”; “cuidado com os pedintes e pequenos furtos”. Diga-se que a ideia de ficar sem $ e documentos (passaporte) na índia é assustador. A isto juntam-se os mil e um avisos sobre os cuidados a ter com a água, comida, mosquitos e mais um sem fim de doenças tropicais, sazonais, e outras tipicas do mundo mais imundo. MUITO mais imundo. Depois de cerca de 36h acordado, 10h num aeroporto, e uma viagem de 8 horas de aviao, qualquer um sonha com um bom quarto, limpo e seguro, uma cama, uma refeiçao e um bom descanso. Isso pode até tornar-se uma obcessao que atalha quaisquer outros pensamentos e a própria capacidade de pensar racionalmente. Quando cheguei meti-me num taxi em direcçao ao centro. Um velho Ambassador que começou a serpentear pelas estradas de modo frenético comunicando-se alegremente com a buzina a cada 10 segundos com os outros muitos milhares de conductores maniacos que abundam actualmente na Índia. Só me lembrava que o Hotel onde supostamente eu tinha uma reserva era em Connaught Place, que eu imaginei ser o centro, e efectivamente é. Do Hotel nem me lembrava o nome, pelo que disse ao taxista , o mais confiante que consegui, para me levar ao centro, na esperança que ele não topasse que eu não fazia a minima ideia de onde estava e para onde ia. Perguntou-me logo se era a primeira vez na Índia? 2ª disse eu sem hesitaçoes. Parece que deu mais ou menos certo, deixou-me no sitio certo. Não sem antes tentar levar-me várias vezes a aceitar sugestoes e contactos de hoteis para ir. Até me passou para a mao o telefone ligado para eu falar com alguém com quem ele estava em contacto, o que eu recusei com um misto de (pseudo) desinteresse e desprezo. Estava básicamente armado em bom. A esta altura já estava impressionado com o aspecto da cidade. Mesmo com pré-aviso impressiona. Infelizmente não estudei minimamente “O livro” do viajante na Índia (o Lonely planet) que, depois li, avisa para ter cuidado com os muitos agentes de turismo que se anunciam oficiais (“work for goverment, no comissions”), mas que não sao, e que estao prontos para nos “dar” toda a ajuda que precisemos. Depois de 5 segundos (!!!) de sair do taxi já tinha um fulano de aspecto duvidoso a querer levar-me para um “Official Turist Office, right here, come come”. Como 5 segundos foi o que demorei a entender que afinal aquilo que no mapa parecia uma pequena e tipica praça cental de uma cidade era na realidade um gigantesco, caótico, sujo, barulhento, cheio de transito e aparentemente labirintico conjunto de avenidas que realmente fazem uma volta parecida a um circulo, circulo que no mapa parece uma praça central. É central, mas não é bem uma praçazita. Como percebi instantaneamente que jamais iria encontrar um Hotel que eu nem me lembrava o nome, deixei-me rapidamente ceder ao convite deste senhor. Nesta agência de turismo “oficial” (na realidade, oficial mesmo, e recomendavel, só existe uma agência, a que recomenda o LP) fui bem rebecido por uma elegante jovem Sikh que me tranquilizou rapidamente e em 5 minutos me preparou um percurso turistico completo para os 10 dias que eu tenho antes de Rishikesh.

O meu plano era simples: Delhi de passagem, Agra por obrigaçao, para tirar a inevitável foto do Taj Mahal, e só porque está a meio caminho para a mitica Varanasi (antiga Benares), onde ficaria mais uns dias apreciar os Ghats e tudo o mais que houvesse para ver nessa cidade onde domina o culto a Shiva nas margens do Ganges. Mas nao sei como, talvez devido à junçao de cansaço e medo, ou à simpatia e competência deste boy, 10 minutos depois tinha aceite comprar um plano turistico de gama média (ou seja, não ia ficar com os backpackers) passando 3 dias por Jaipur no RaJasthan com direito a passeio em elefante, pelo meio mais outra cidade que nao lembro do nome antes de Agra , depois Agra, só depois Varanasi, e entao comboio para norte directo até Hardiwar, já mesmo ao pé de Rishikesh. Vá lá ainda tive lucidez para recusar um mini safari atrás de Tigres num parque qualquer na zona de Agra! O plano incluia os Hotéis, taxis e rishikaws em todo lado á minha espera e disposiçao, e os bilhetes de comboio. Só teria de pagar extra a alimentaçao e as entradas nos monumentos. E as gorjeta que achasse devidas. Felizmente os meus cartoes Visa não funcionaram direito e só pode pagar parte do total no acto de compra. Isso permitiu-me voltar hoje e renegociar o tour, tirando todo o Jaipur, aumentando um dia aqui em Delhi, e diminuindo a conta a pagar. Ou seja, voltei ao plano original da minha cabeça, embora um pouco mais caro e menos auto-suficiente do que o imaginado. No entanto, verdade se diga, este plano mesmo assim tem um custo aceitável. Se o fizesse eu talvez o fizesse por menos uns 200 euros, mas com muito mais insegurança e sobretudo com muitas perdas de tempo na compra de bilhetes, marcaçoes de hoteis, achar hoteis decentes, etc. Assim vou a muitos mais sitios, muito mais rápido e muito mais seguro. Basta-me dizer ao meu motorista, o Raj, onde quero ir, ou simplesmente aceitar as suas indicaçoes, todas elas préviamente estudadas e que incluem lojas e restaurantes onde não tenho nenhum interesse em ir, mas que lhe dao comissoes a ele, ou pelo menos ao patrao dele.

O Raj, o meu motorista-guia desigando tem 38 anos, é hindu, originário de uma aldeia qualquer no Rajasthan, casado e com 4 filhos. É analfabeto, mas fala, além de Hindi e Rajasthaní, ingês e até umas palavras de japonês. Aprendeu com os turistas. O proximo passo dele, se continuar a acumular bom karma, é comprar o próprio Taxi, que por aqui costumam ser Suzukis, Toyotas ou Tatas, a maioria minusculos e quadradinhos, aqueles utilitários de gama mais baixa que também temos na Europa. Delhi está cheia deste tipo de carros a circular por todo lado, parecendo seguir apenas uma regra básica de transito: não chocar! Mas chocam. O Raj faz rezas e adoraçao (pujas) a Durga em busca de Poder. Secundáriamente também a Ganesh (boa sorte), e a Parvatí (prosperidade). Veja-se como a famosa “espiritualidade hindu” convive harmoniosamente com o mais puro materialismo. É gordinho e simpático. Hoje deu-me uma dica boa de restaurante aqui mesmo ao pé do Hotel Blessings, e sobre como obter bilhetes de comboio sem ser roubado por oportunistas (como os da agência para quem ele trabalha), na estaçao de comboios de Nova Delhi (por distinçao de Old Delhi), a mais importante, também aqui ao lado do meu Hotel. “Don t tell my boss, or will get fired!”. Ok. “Please don t say my name, please don t tell my boss.” Ok, ok. Fez-me logo as perguntas tipicas que qualquer indiano faz a um estrangeiro: Frist time in India? How long wiil you stay? Where do you go? How old are you? Are you married? Have children? Where is your wife? What is your profesion?. Isto sao as perguntas tipicas, quase oficiais, feitas não só para ser simpaticos e meter conversa, não só para saber o quanto podem sacar de nós. Essas perguntas, principalmente as relativas a familia e trabalho, sao as perguntas fundamentais da Vida para um indiano, e fazem-nas por genuina curiosidade. Aliás, sao em geral muito simpaticos, não só por necessidade, mas também por educaçao. É falta de educaçao não responder, e é de bom tom perguntar o mesmo ao inquiridor. Podem até perguntar quanto $ ganhamos, e acham sempre muito estranho sermos casados e não termos filhos.

Ontem, ainda no mesmo dia em que cheguei, depois de um curto sono e banho, o Raj levou-me a South Delhi a ver o “mini” Taj Mahal, anterior e inspirador do de Agra. É também um tumulo muçulmano. E se este é o mini tenho mesmo que ir ver o macro! Depois, ainda no Sul de Delhi fui ver outro monumento qualquer que nem sei bem o que era. Nas realidade ainda estava deslocado, cansado, algo receoso, a adaptar-me ao facto de que estou na Índia! ESTOU NA ÍNDIA!

Hoje de manha (5ª, dia 5) ia sair cedo para explorar a Old Delhi. Comi cuidadosamente o pequeno almoço. Ou seja, comi o pao das sandes de vegetal, e bebi agua mineral devidamente engarrafada ( é a única opçao se exceptuarmos a Coca Cola). 5 minutos depois senti um acesso de vómito! Um minuto depois senti outro. !!! Numa fracçao de segundos revi mentalmente todos os relatos que dizem ser muito comum uma intoxicaçao alimentar acontecer e provocar vomitos, diarreias severas e até desinterias de vários tipos. Coisa para passar uma semana de baixa atrelado a uma sanita! Ao terceiro acesso de vómito não hesitei, e provoquei o vómito sem mais demoras até ter a certeza de que tinha deitado fora absolutamente tudo o que tinha comido. Bebi 1 litro de agua mileral. Descansei um bocado na cama e umas horas depois estava aparentemente bem. Até agora. Deve ter sido só um susto. E que susto!

Old Delhi.

Hoje tinhamos ficado de ir a Old Delhi, a antiga e mais tardicional Delhi. A primeira paragem, a meu pedido, foi uma grande mesquita que ali há. Não sei os nomes, mas esta tudo na internet. Depois foi o Red Fort, que esta mesmo ao lado. Tudo isso faz parte da era muçulmana da Índia que foi a que deixou mais arquitectura em pé até aos nossos dias, mas para falar a verdade não me impressionou muito. Gostei mais de ter andado de bici-rikshaw pela primeira vez. Sim, com um transito absolutamente infernal há volta! Depois, enquanto o gajo que pedala o rikshaw e o Raj esperavam a minha volta, cada um no seu ponto de entrega, aproveitei o facto de estar sozinho para explorar um pouco as reulas de Old Delhi. O Raj não é nada entusiasta de me ver a andar sozinho seja lá por onde for, muito menos nas ruas estreitas, labirinticas e hipercongestionadas de Old Delhi- “If you desapear i lose my job”. !!! Por muito simpático que ele seja eu prefiro não desaparecer pelos meus próprios e óbvios motivos! Antes de me deixar ir no Risksaw disse-me varias vezes “be careful, ok?” Ok, mas estava a começar a sentir-me mais adaptado e relaxado. Estava a começar a desfrutar. E o que me interessa relamente não é ver monumentos e sim “the real Índia”, a vida diária, as ruas onde isso acontece. E onde melhor que Old Delhi? Vi um pequeno grupo de turistas ocidentais e discretamente segui-os. É incrivel como ver turistas ocidentais (menos do que esperava. Ou não ficam muito em Delhi, ou até sao muitos mas no meio de tanto indiano quase nem se vêm) me dá sensaçao de segurança. Ilusória diga-se de passagem. De que raios é que valem 2 ou 3 ocidentais desconhecidos e perdidos no meio de multidoes imensas de indianos em ruas estreiras e labirinticas? É curioso que no Brasil eu passava perfeitamente por mais um, e isso dava-me liberdade, a liberdade de passar discreto. Aqui sou um turista ocidental, sem a menor duvida! Talvez por isso não consegui atrever-me a adentrar muito as ruas de old Delhi sozinho. Uns 200 metros para dentro e senti-me completamente desamparado. Mais 2 ruas e novas tentativas de penetraçao depois voltei atrás contente por este primeiro passo de rebeliao contra os esforços dos meus organizadores de viagem. Disse ao Raj que amanha quero voltar. Ele disse que sim, claro, mas com aquela expressao tipica de quem diz, depois veremos, hei-de levar-te para outro sitio, verás. Rsrsrsrs

De volta ao centro, a New Delhi pois pedi-lhe que me levasse a algum templo de adoraçao a Shiva. Sim, claro, disse ele, mas afinal era um templo de adoraçao a uma dezena de deuses, tudo (mais ou menos) limpinho, bem decorado, cheio de visitantes mais que de peregrinos e devotos.

Como a jeito de compensaçao liberou-me (e a ele próprio) para noite, dando-me indicaçao de uma zona perto e boa (“full of tourist”) para jantar mesmo aqui ao lado do Hotel e ao lado da estaçao. Na realidade é o bairro ende estou, mas eu só tinha visto a minha rua, cheíssima de gente como todas, mas aparentemente não muito frequentada por turistas. Ledo engano, na esquina da rua que dá para a estaçao dei com um mundo hipercolorido, hiperactivo, ao estilo Old Delhi, cheíssimo de lojas de tudo e mais alguma coisa de com muitos hóteis e restaurantes, incluindo uma boa dose deles nitidamente dirigidos ao turista que por aqui sao bem visivéis. É uma especie de sitio para receber e despedir do turistas que vêm a Índia, pois é muito perto do centro e mesmo em frente a estaçao. Estou bem situado afinal de contas. Não que a zona seja “fina”. É suja, barulhenta, cheia de gente e caes vadios, corre-se o risco de ser atropelado a qualquer momento, mesmo ali, numa rua estreira, esburacada, enlameada, mal cheirosa e cheia de movimento a pé! Segura, apesar de se verem bastantes turistas ocidentais, também não deve ser, porque o Raj disse-me “be careful ok?” Ok. Mas é uma zona boa para o turista se hospedar, sair a noite, comer e dormir. Tem ali (aqui) vários sitios recomentados pelO Livro.

Já vi prédios dominados por macacos, e cabras, vacas e elefantes a vaguear no meio da rua. Hoje de manha ao pequeno almoço uma vaca ocupou insistentemente a entrada do restaurante a pedir comida. Ainda não acho normal. Viro-me e páro para ficar a olhar. É outro conceito quanto a organizaçao, higiéne, saneamento, potabilidade, etc. Um Europeu diria que pura e simplesmente não existe cá nada disso. Ainda não acho normal. Gente a dormir no passeio em todo lado, a qualquer hora, inconscientes de toda a poluiçao de todos os tipos, que aqui é o normal. Para mim ainda não. Todos os sitios têm gente na rua. Muita dessa gente não tem casa, vive ali mesmo. Come, dorme, compra e vende, trabalha, caga e tem filhos ali mesmo, no passeio, ou até na própria estrada. Alguns dormem tao despojados no cimento poeirento que parecem mesmo mortos. Ainda não acho normal. Mas agora que já começo a adaptar-me e a relaxar estou a gostar. Não da pobreza. Nem sei bem de quê. Talvez porque que é diferente. Talvez porque eu queria ver algo diferente. Talvez proque eu queria muito vir a Índia. Estou cá . ESTOU NA ÍNDIA. Estou feliz. E o resto logo se vê. Tudo há-se resolver-se e correr pelo melhor!
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Londres: neve e caos!

Um dos motivos pelos quais quis viajar nesta altura para Londres era para ver como é a Vida cá no Inverno. Como é o dia-a-dia de trabalho com a chuva, os dias curtos, escuros e frios.

Amigos de cá tinham-me dito que chove menos em Londres que no Porto. Eu não acreditei. Ninguém acredita. Mas é verdade. Em duas semanas não choveu muito. E sobretudo não choveu forte, dia nenhum. Todas as pessoas de Portugal me têm dito horrores do tempo lusitano e concerteza tem estado pior que cá. Ou entao é porque em Portugal temos outras expectativas e exigencias quanto a este assunto. Claro que esteve sempre “fresco”, a luz nunca chegou a abrir como num dia razoável em Lisboa, e um impermeável é quase indispensável em qualquer situaçao. Mas estava a ser muito melhor do que esperava. Pensei: sim, aqui pode-se viver sem problemas de maoir no que ao clima diz respeito. Até proque cá só faz frio na rua. Nas casas, cafés, escolas de yôga, mercearias, museus, etc, está tudo SEMPRE bem aquecido. Até as muitas casas que sao antigas, do tempo da guerra, antigos bairros sociais fabricados a pressa por todo lado, sao perfeitamente aquecidos. Na pratica no Inverno sofre-se muitíssimo mais frio em qualquer lugar de Portugal ou Espanha, onde supostamente faz mais calor.

Bem, estava bom tempo. Bom relativamente ás minhas expectativas. Estava. Esteve.

Ontem a noite começou a nevar. Foi tao bonito! Eu nunca tinha visto nevar a sério. Em poucas horas estava tudo branco. Lindo. Mas não parou. Hoje de manha estava tudo ainda mais nevado. E continuava a nevar. O metro não funcionava. Os bus também não. Os comboios também não. Os poucos taxis tinham pedidos de reserva com direito a esperar 3 horas. Ir ao aeroproto estava fora de possibilidade. Não há problema. O aeroporto que me ia levar para outro continente também estava semi inutilizado. Os voos da BA todos cancelados, incluindo o meu! E continua a nevar, até agora.

Dizem que foi o pior nevao em décadas. 60% das pessoas não trabalharam. 80% das escolas fechadas. Restaurantes, lojas e tal pelo mesmo caminho. O Hyde park cheio de gente a desfrutar da neve. Não sei se é bom ou mau. Eu espero poder ir amanha embora. Mas sinto que foi um último presente de Londres para mim.

Caos

O grande problema disto tudo nem foi o dia a menos no meu destino principal. O grande problema foi o day after, a ressaca. Tudo na cidade volto a funcionar. A neve dimunuiu ou passou a gelo. Mas no aeroporto estavam a tentar recuperar os atrasos, retençoes e atascos do dia anterior. Estava superlotado! Não diria caótico. E nisso, ser Londres creio que faz muita diferença, porque o que eu vi, s efosse em Portugal teria sido lindo...Embora isto tenha sido u m grande e aborrecido atraso para chegar a onde mais quero ir, de certa forma todo este caos é um pouco como se a Índia tivesse vindo até londres, numa missao de boas vindas e ambientaçao mental para a “normalidade” que espero encontrar neste continente.

Estive 3 horas de pé a fazer check do meu voo que tinha remarcado no dia anterior pelo telefone. Li um livro inteiro em pé na fila. A história de um teenager inglês que foi paar a índia atrás de uma paixoneta, passou horrores, foi abandonado, mas acabou pro adorar a experiência. Espero não ter exactamenet a mesma história para contar, muito embora o livrinho até seja bem divertido. Mas o meu programa é bastante diferente. Depois o voo atrasou-se mais 6 horas! Deveriamos ter partido pelas 11.50, mas partimos ás 17.50. Bom...

O mundo está mesmo pequeno. No aeroproto por acaso conheci uma francesa que se sentou ao meu lado e que me fez companhia boa parte do tempo atascasdos a espera do atraso. Infelizmente não ficamos juntos no aviao, como seria de prever. Mas isso teve um lado positivo. A meio da viagem descobri que o gajo no assento ao meu lado, que eu tinha assumido ser indiano, afinal era português!?! Aliás, tem dupla nacionalidade. É do Punjab mas vive em Lisboa a 8 anos. Trabalha nas docas num restaurante português, fala protuguês e veio de férias como eu, embora no caso dele a ver a familia. Isto é que é mesmo viver num mundo pequeno! Se calhar nem somso os únicos portugas on board!

Vou chegar daqui a duas horas a Delhi. Nao sei se tenho realmente Hotel marcado. Até tinha antes do meu voo ter sido cancelado. Entretanto até avisei do facto, para reservar para um dia mais tarde, mas não chegeui a receber resposta. Que s elixe. Apareço lá e pronto, deve haver algo livre. É no centro de Delhi. Tudo o que se quer deposi de dia e meio em viagem destas é uma cama e um banho. Resta saber que cama e que banho. Logo eu que até gosto de tomar banho de boca aberta, e na Índia nem uma gotinha de agua do cano posso beber!? Não há-de ser nada...

Estou finalmente a chegar a Índia. Era o que eu queria. Estou feliz.
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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Casa em Londres



Londres, decerta forma, é a minha rampa de lançamento para a Índia. O Yôga, o SwáSthya, também. A minha casa aqui foi o SwáSthya yôga. A egrégora, com a qual tenho uma relaçao de amor-ódio à minha maneira, mais ou menos civilizada e sóbria. Na casa aqui vivem 3 instrutores, entre os quais o Professor Gustavo Cardoso e sua esposa, a também instrutora Sónia. A todos muito obrigado, foi realmente um prazer partilhar estas duas semanas. Espero ter sido leve.
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Preconceitos 3: Índia X Brasil

Índia X Brasil

(escrito em 2005. Publicado AQUI. Clic.)

Tenho cada vez mais fascínio pelo Brasil e pela Índia.

Nunca fui fisicamente à Índia. Mas conheço muitas pessoas que já lá foram. Algumas várias vezes. Algumas muitas. Outras uma ou duas. Todas com a sua própria perspectiva sobre o país. Como vivo o Yôga, que emana de dentro de uma cultura que se desenvolveu na actual Índia e Paquistão, mantenho-me bastante atento e já estudei bastantes livros sobre Hinduísmo, Yôga, Índia (história e actualidade), etc. Some-se a isso vídeos, programas de TV, filmes, etc. Até já dei um pequeno contributo para uma peça de teatro Hindu! Sou frequentador habitual em restaurantes de comida indiana…Acho que consigo ter uma boa noção!

Também nunca estive no Brasil. Mas qualquer português já é em parte brasileiro! Durante centenas de anos foi o contrário. Mas desde a algumas décadas que a maior contaminação cultural vem de lá para cá. Música, TV, cinema, Carnaval, futebol, publicidade, dentistas, artes, surf, alimentos, imigração, turismo, etc. A Influência é enorme. E cada vez maior.

O meu Mestre é brasileiro. É DeRose. Trabalho com brasileiros, fazendo parte de uma organização que tem génese e liderança no Brasil… Mais de metade das pessoas que conheço (incluindo família) já foram lá pelo menos uma vez. Sinto-me à vontade para falar do Brasil.

É fantástico reparar no facto de esses dois países terem uma influência cultural enorme sobre o que eu faço e sou. E as perspectivas é de terem cada vez mais! Aliás, parece que o impacto desses países no mundo está em franco crescimento, tanto no aspecto económico, como cultural.
A Índia e o Brasil Têm muita coisa parecida.

São ambos países incrivelmente heterogéneos, em todos os aspectos. Tanto nas etnias e respectivas culturas, como geograficamente e também economicamente. Até nas formas de expressão, pois no Brasil o português é bem variado!

O clima é parecido por ser…variado. Quente, frio, desértico, selva, etc. Têm ambos condições férteis para a agricultura, que ainda é a base da sustento de grande parte da população.

Embora ambos sejam considerados países pobres, têm também muita riqueza. E ambas convivem lado a lado, embora sem grandes misturas. São potências económicas e militares cada vez mais omnipresentes. Politicamente são consideradas democracias, ambas com especificidades características e parecidas: estado fraco e pouco regulador que deixa espaço um fluir abrupto e espontâneo das sociedades civis. E isso também é liberdade. Liberdade de criação, para quem sabe e pode! São países com grandes desigualdades sociais que permitem criar dinamismo e crescimento, e injustiças também. Em ambos os Estados há do mais miserável ao lado do melhor e mais avançado que se pode encontrar na humanidade.

O colorido é intenso e o entusiasmo também. Nas comidas, modas, em tudo. Algo que se vive com especial fulgor nas festas, na música, nas artes. Qualquer pretexto é bom para fazer a festa!

Embora a Índia seja a terra das tradições milenares estas assentam primordialmente na capacidade regenerativa. Na absorção de diferenças e recriação permanente. É difícil dizer o que é velho ou novo, pois tudo parece ser as duas coisas! E isso também se vê no Brasil. Convivência próxima do antigo e moderno, do rico e pobre, do belo e do horrível.

Criatividade e esperança são características sempre presentes nesses povos, que ainda assim têm alguma falta de auto-estima, e são os primeiros a recusar o que são os seus próprios valores, subjugando-se tolamente a tudo o que é anglo-saxão!

Não falta diversidade religiosa. Cultos e gurus para todos os gostos. E contra-gurus também. Há desde o intlectualóide do melhor nível ao que nem sabe o que significa votar! Só nesses países é possível eleger filósofos e sindicalistas para presidentes, e ambos fazerem bons trabalhos, essencialmente iguais!

É fácil reconhecer identidades entre certas paisagens da Índia e do Brasil. Tanto de pobrezas, como de belezas.

Enfim, tanta coisa une essas duas partes do mundo.

Outra que as une é a mais importante para mim. É o Yôga. Yôga que significa União!

É o Yôga que me conecta simultaneamente ao Brasil e a Índia. A mim e a muitos outros.
Talvez seja precisamente devido a todas essas identidades que é hoje o Brasil que melhor assegura o perpetuar desta filosofia milenar legada pela Índia. Em nenhum outro país há mais Yôga, tanto em qualidade como em quantidade. É uma diversidade enorme de escolas, mestres, instrutores, linhas, métodos, livros e praticantes, etc. O melhor Yôga do mundo pode ser lá encontrado. As maiores deturpações também. É uma imensidão, desde os melhores profissionais aos totalmente amadores. São múltiplas organizações, cada uma com o seu fim e meios, lutando pelo o Yôga, com o Yôga, e até uns contra aos outros, enquanto concorrência que são! Para quem gosta do Yôga é um fervilhar apaixonante.

Aparentemente esses países continuaram a ser cada vez mais importantes no mundo. Cada vez mais fortes. Cada vez mais exportadores das suas culturas. Especialmente a Índia mais uma vez ressurgida das cinzas parecendo saber aproveitar o legado Inglês.
Veremos.

Espero poder conhecer um pouco mais desses dois mundos de forma mais concreta. Ir lá. Primeiro ao Brasil. Quiçá em breve.

(Os desejos concretizam-se! Mentalizaçao, realizaçao!) Leia o artigo completo CLIC

Preconceitos 2: Índia, Brasil, etc.

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Nacionalismos: Índia, Brasil e outros nacionalismos...

Já aqui deixei claro variadas vezes que nao sou nacionalista. Aliás, considero o nacionalismo uma doença. Uma religiao em relaçao à qual tenho pouca consideraçao, e a qual considero que ter cada vez menos sentido. Imagine-se alguém a matar e a morrer pelo nome de um país e sua bandeira! Dispenso…

Foi na Europa que os nacionalismos floresceram com mais intensidade. E é a Europa que lhes está a decretar a sentença de óbito. Os nacionalismos em nome dos quais nos matamos ferozmente até há poucas decadas é agora deixado de lado consciente e voluntáriamente em prol de alianças mais proveitosas. A Inglaterra, França e Alemanha sao aliadas. Milagre! A moeda é uma para quase toda a Europa e é forte. As fronteiras entre os países têm a mesma importancia que as fronteiras entre os distritos, concelhos e freguesias. O sistema juridico unifica-se cada vez mais. O comércio, indústria e serviços também.
Perde-se muita coisa. Ganham-se muitas outras. Eu gosto.

Mas o que eu acho mesmo piada é observar os nacionalismos que neste momento se querem mais aguairrados. Nomeadamente o dos
EUA, da Índia e do Brasil. E já agora o da China, o da Cataluña e o do País Basco…..

Começando por estes últimos.....

Também é interessante observar o caso chinês. Por um lado a China é impiedosa e sem comtemplaçoes, como os Tibetanos sabem bem (desde há varios séculos que os chineses e Tibetanos andam nisto). Por outro lado demonstram verdadeira paciência e pragmatismos chinês com o Taiwan. Olhando para o que tem vindo a acontecer há que esperar que vao ter exito em unificar e fortalecer aquele nacionalismo para além do que alguma vez terá existido na história conhecida. É assustador!

Os EUA sao outra história. .....

O mesmo se passa no Brasil, que aliás é cada vez mais americanizado em quase tudo. Menos na (falta de) organizaçao claro está. O Brasil nasceu de um cisma português. Eramos um enorme imperio em influência e território. O Rei nao soube lidar com uma crise interna, escapou-se e isolou-se em parte do território, precisamente a terra de Vera Cruz, e acabou por separar e autonomizar aquela parte do Império. Mas nao se pense que por isso o Brasil, que nasceu directamente do fracionar de Portugal, é uma grande uniao de carácter português. Nada disso. Excluindo a lingua e o cristianismo (e mesmo aí…) o Brasil é menos influênciado por portugueses que por italianos, alemaes, judeus de varias proveniencias, japoneses, africanos (ex-escravos), etc. E sobretudo pelos EUA claro. Só há uma cultura que é nitidamente menos importante no Brasil que a portuguesa, sao as antigas culturas aborigenes, dos varios indios, dos quais aliás sobram poucos… E no entanto, a pesar de serem um país com pouco mais de dois séculos e da enorme diversidade cultural, os brasileiros sao muito nacionalistas. Entre o desespero, a critica arrraigada, a compulsao a querer estar permanentemente a desfazer e refazer tudo em rebeldias teenager, e, sobretudo, com muita esperança, eles nao conseguem deixar de acreditar e criar esse nacionalismo. Até já vao no ponto do revisionismos histórico, dizendo que os portugueses foram terriveis invasores e colonizadores opressores dessa naçao antiga… Mas eles nao sao quase todos descendentes de portugueses e outros colonizadores? Pelo menos os estado unidenses celebram as curtas raízes que têm, nomeadamente as europeias. No Brasil, os descendentes de portugueses, italianos, alemaes e japoneses gostam de se achar continuadores e herdeiros dos indios que os avós deles ajudaram a exterminar! É Brasil, é só rir. E digo isto com fraternidade porque gosto mesmo do Brasil e de muitos brasileiros.

Há mais uma coisa que eu acho interessante no Brasil, e na
Índia, onde se pode observar de uma forma muito visivel algo que também acontece em quase todo lado de uma forma menos explicita. É que aquelas misturas e confusoes todas criam situaçoes totalmente impossiveis de classificar dentro dos paradigmas classicos que os europeus inventaram. Por exemplo. O Brasil, entretanto moderno e americanizado, ainda mistura uma organizaçao estatal que herda estruturas implementadas por europeus há séculos atrás, com influências de estado centralista e intervencionista (de tendencias socialistas-fascista) importadas também Europa. Mas na practica o Estado funciona tao mal que nao tem metade da relevancia, nem para bem nem para mal, do que tem o Estado dos EUA, que querendo ser modelo de “capitalismo-liberal” acaba por ter muito mais intervençao real na economia e sociedade que o Estado brasileiro ou indiano. Leis intervencionistas sem regulamentaçao e aplicaçao practica nao servem de nada, e acaba-se por deixar tudo num suposto liberalismo em que na realidade manda a mao invisivel, a mao dos mais fortes sobre os mais fracos . Como em todo lado…

Mas o caso de nacionalismo mais engraçado de se observar é o da Índia. Índia que aliás é o mais novo de todos esses países. Nasceu já depois da segunda guerra mundial. Nasceu pela mao inglesa. Os ingleses desenharam a Índia e Pakistan actuais. Desenharam e criaram dois nacionalismos. Dois nacionalismos fanaticos e nucleares diga-se. Duplamente fanáticos: fanaticos do próprio nacionalismo e fanáticos de religioes que associam a esses nacionalimos. Uma dupla explosiva. Aliás, vendo bem as coisas os ingleses só fizeram foi merda e da grossa com estas questoes do ultramar. Foi na Índia e Pakistan tal como foi com os Palestinos e Judeus. Só com esse "pequeno" erro podem considerar-se grandes responsávéis pelos nacionalismos.....

Pois bem: criaram a Índia. O que é a Índia? Ninguém sabe bem. É uma mistura total entre o velho e o novo, de tal forma mesclados que nao se sabe onde começa um e termina o outro. (mas claro que para neo nacionalistas tudo é antiquíssimo!). É uma mistura total de quase todas as religioes do mundo, cuja a grande parte delas nasceu lá. Quase todas menos o comunismo e nacionalismo que importaram e incorporaram sem dificuldades. Aliás se alguma coisa caracteriza a ïndia é a sua capacidade de importar e incorporar tudo e mais alguma coisa. E exportar também. Aliás, foi por causa da Índia que a globalizaçao começou, primeiro de lá para fora, depois para chegar lá. E agora de lá para fora e de fora para dentro… Será que neste mundo globalizado ainda faz sentido falar de dentro e fora?

Claro que os indianos (nacionalidade recentíssima) sao altamente nacionalistas. Fervorosamente diria. E sim, eles diram que têm a cultura mais antiga e erudita da humanidade, muito embora eles a conheçam tao mal, e parte dela ter sido desenterrada por e para ocidentais…

Enfim…nacionalismo! Entre o rir e o chorar mais vale rir.


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