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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Viajar, a sós ou com sócio?

Mais vale só que mal acompanhado, já diz o ditado. Mas mais vale bem acompanhado que só, digo eu. É bom partilhar. É essencial. Mas quando não encontramos ninguém que queira, ou possa, alinhar, o que devemos fazer? Eu sei o que faço: vou na mesma. Faço à mesma. Se puder viajar ou fazer com amigos, com um grupo, ou, ainda melhor, com companheira, prefiro. Mas senao não vou ficar parado, em terra, a ver navios.

Preciso de fazer, de viajar, de ver, de experimentar. Sou curioso, preciso de conhecer por mim mesmo, passar directamente pelas experiencias para aprender, e ás vezes até preciso de mais que uma vez. Assim que quando vi que o mais provavel seria vir sozinho assumi o facto e pronto, segui em frente.

Provavelmente amanha ou no dia seguinte vou para o Dayananda ashram, aqui em Rishikesh, e lá vou estabilizar, e lá vou encontrar gente conhecida. Mas estas primeiras duas semanas (que parecem mais) foi mesmo por mim mesmo. Mas quase nunca sozinho.

É curioso, olhando para trás, vejo que pouquissimas vezes viajei sozinho. Pelo menos mais que 2 ou 3 dias. E como sempre, desde que estou com a Joana aproveitei para não me preocupar com quase nada relativo a organizaçao das viagens, mesmo aquelas em que ia só eu! Eu não gosto dessas coisas, de papeladas, marcaçoes, horarios, pagamentos, etc. E também não gosto de pensar na viagem antes da viagem. E a Joana, como a maioria das mulheres, gosta de saber de tudo, estar precavida, assegurar-se, é mais pratica. Assim que durante uns anos não tratei de nada. “Quero ver um dia que não estejas cá eu”, ouvi várias vezes, tal como ouvia em casa com a minha mae, e outras muitas vezes depois. Mas eu sempre soube que isso era oportunismo, perguiça, que quando fosse preciso eu safava-me. E estou-me a safar, como sempre que foi preciso.

Dizem que quando viajamos com uma namorada ou esposa há grandes possibilidades de stressar e até acabar com o relacionamento. Porque a dois o normal é ficar-se muito juntos,cada um a apoiar-se no mundo conhecido que resta, invadindo constantemente o espaço alheio para além do que seria desejavel. E depois, se não há boa sintonia, ou se não está claro quem manda, e quase nunca existe boa sintonia nem está claro quem manda, as coisas podem ser complicadas. Muito complicadas. Até porque se entre o casal há “assuntos” pendentes eles continuam pendentes na viagem, não desaparecem, antes pelo contrario. Mesmo entre melhores amigos de toda a vida isso tende a ocorrer. Pode-se chegar ao fim (ou a meio!) da viagem e já estar com os cabelos em pé. E pode ser que tudo acabe ali mesmo. O que não faltam é casos desses por aí. A mim nunca me passou chegar ao ponto limite, mas já vi outros a chegar, e já saboreei um pouco a minha própria dose. E a Índia é o sitio perfeito para por tudo e todos a prova, porque isto não é a Europa, onde há supermercados em todo lado (eu ainda não vi nenhum aqui), onde tudo é mais ou menos limpo, seguro, previsivel...

Por outro lado, há quem se dê realmente bem, e que viajam a dois, pelo menos aparentemente, bem. Muito bem. Isso é maravilhoso. Estando sozinhos olhamos e dá inveja. Como seria tao bom ter ali alguém que gostamos muito e confiamos pelnamente para partilhar tudo.

Por outro lado viajar sozinho tem as suas vantagens. É que estamos muito mais abertos a conhecer outras pessoas. E aqui na Índia há muita gente a viajar sozinha, não só para estar ou estudar na Índia, mas também para conhecer outras culturas e sobretudo outras pessoas, de todo o mundo! É muito fácil conhecer gente em viagem! Conheci uma francesa no aeroporto em Londres que me fez companhia naquela fatigante espera. Por acaso encontreia outra vez em Delhi. No aviao conheci um indiano que vive em Portugal, em Alcantra! Em Delhi conheci brevemente uns 5 ou 6 viajantes, sobretudo no restaurante, mas acabei pr estar a maioria dos 4 dias com o meu motorista que era um gajo porreirissimo, por sorte. Só me ria com a coisas que o gajo contava. Mal me largou e passei para o comboio passei a conhecer uma média de 2 ou 3 pessoas por dia. Uns para pouco mais que um almoço ou passeio. Outros acabam por ser companheiros de um dia inteiro, ou até de mais de um. Já conheci espanhois (por todo lado), australianos, franceses, coreanos, americanos, noruegueses, suecos, holandeses, e gente sei lá mais de onde. A maioria gente entre os 20 e os 35 anos. Geralmente basta puxar conversa e já está. Além da companhia, contam-se histórias, dao-se dicas e sugestoes para a viagem. Partilha-se um pouco da Vida e da viagem de cada um. E isso é tao enriquecedor. Nesta viagem de 20 horas para Rishikesh conheci uma holandesa de 32, advogada, que está a viajar há 4 meses, esteve 2 meses a trabalhar nuns orfanatos aqui em Rishikesh, foi a Varanasi conhecer e volta para cá dizer adeus aos miudos antes de ir para a Holanda outra vez. Estivemos na conversa horas no comboio, dividimos o taxi desde Hardiwar, ficamos na mesma hospedagem e fez-me de guia pela parte que interessa de Rishikesh, que assim conheci logo bem no primeiro dia. Entretanto cada um vai ao seus afazeres. Nem sei se a volto a ver apesar de estarmos na mesma hospedagem, e nem me interessa, porque foi porreirissima mas é assim mesmo, vem e vai-se. Como já vieram e foram rápidamente bastantes pessoas em poucos dias. Algumas pessoas até agostariamos de conhecer melhor, porque temos coisas em comum, porque conectamos bem, gostamos. Mas talvez eu estivesse em direcçao a Varanasi e ele ou ela em direcçao a Bombay. Mesmo que volte ver esta “Nicole” (na maioria dos casos nunca se chega a decorar os nomes das outras pessoas) será para um “adeus, boa viagem, foi um prazer conhecer-te”. E sigo para bingo, que há mais que fazer, coisas para ver, outras pessoas para conhecer. Eu gosto de saber como vivem e viajam os outros por isso meto logo conversa e a garnde maioria está desejosa do mesmo. Mas não é um conhecer mesmo. Há pessoas com as quais podemos conectar perfeitamente de forma instantanea, e até podem surgir momentos de grande intimidade (intimidade no sentido de entendimento e cumplicidade) num breve momento. Mas, apesar de a maioria das pessoas em viagem estar bastante aberta e receptiva, a verdade é que não é a mesma coisa que ter um companheiro conhecido e constante, estável, com quem nem é preciso sequer olhar para saber o que o outro vai dizer, ou querer...

Enfim, varios lados da mesma moeda. Eu estou a gostar muito. Mas também me está a apetecer parar, estar com gente conhecida, ou conhecer gente mais tempo, conhecer melhor um lugar, fazer algo com principio, meio e fim.

Tenho esta ideia na cabeça de viajar por meses, de bicicleta ou de mota, talvez através da Índia, ou de outro país enorme, acompanhado ...
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sábado, 7 de fevereiro de 2009

Estou na Índia. Chegada e Delhi.

Quando cheguei a Sao Paulo, no Brasil, ia assustado. Ia sozinho, tinha passado o mês anterior a sofrer uma pequena lavagem cerebral de muitos conbhecidos que me “bondosamente” me avisavam de todo tipo de perigos que o Brasil oferecia, do tipo “cortam-te os dedos para te roubar os anéis”. A minha maneira, cheio de descontraçao e estupidez natural, pouco ou nada preparei. É perguiça e desleixo mesmo. E optimismo e excesso de confiança. Em geral acho que tudo vaio correr pelo melhor, e o melhor é ir e logo se vê, tudo se resolve... E resolve mesmo, mas isso tem um preço. E geralmente é bastante fácil de contabilizar, porque é monetário. Quando cheguei a Sao Paulo era Domingo pelo que estava quase tudo fechado. Pelo menos a escola de yôga onde eu ia fazer o estágio profissional estava fechada, assim que não havia possibilidades de orientar-me por lá. Infelizmente tinha-me esquecido da direcçao da casa onde ia ficar. E do numero de telefone! Assim que vi-me atirado para o meio da rua naquela que para mim era, por preconceito, uma cidade infernal! Quando me apercebi da situaçao fiquei com MUITO medo. A minha reacçao ao panico foi simples: olhei em volta, procurei um Hotel com bom aspecto e entrei nele. Felizmente estava num dos melhores bairros da cidade (o que, pelo aspecto, eu não diria) e mesmo em frente a um dos melhores hotéis, um de 5* que eu já nem me lembro o nome. Entrei e pedi um quarto, tomei banho e imediatamente senti-me bem. Baixei ao bar, pedi acesso a internet e logo encontrei on line a dona da casa onde ia ficar. Afinal a casa era na mesma rua do Hotel, a um quarteirao de distância! Menos de dois meses depois tinha percorrido sozinho e a pé muitos Km de ruas más e muito más da cidade, sem grandes receios e sem que se passasse nada.

Ontem de madrugada cheguei a Índia.

Sobre a Índia nunca ouvi grandes histórias de violência. No entanto, sobre Delhi, quase só ouvi coisas do tipo: “é asqueroso”; “é horrivel”; “fiquei um dia e fui logo embora”; “cuidado com os pedintes e pequenos furtos”. Diga-se que a ideia de ficar sem $ e documentos (passaporte) na índia é assustador. A isto juntam-se os mil e um avisos sobre os cuidados a ter com a água, comida, mosquitos e mais um sem fim de doenças tropicais, sazonais, e outras tipicas do mundo mais imundo. MUITO mais imundo. Depois de cerca de 36h acordado, 10h num aeroporto, e uma viagem de 8 horas de aviao, qualquer um sonha com um bom quarto, limpo e seguro, uma cama, uma refeiçao e um bom descanso. Isso pode até tornar-se uma obcessao que atalha quaisquer outros pensamentos e a própria capacidade de pensar racionalmente. Quando cheguei meti-me num taxi em direcçao ao centro. Um velho Ambassador que começou a serpentear pelas estradas de modo frenético comunicando-se alegremente com a buzina a cada 10 segundos com os outros muitos milhares de conductores maniacos que abundam actualmente na Índia. Só me lembrava que o Hotel onde supostamente eu tinha uma reserva era em Connaught Place, que eu imaginei ser o centro, e efectivamente é. Do Hotel nem me lembrava o nome, pelo que disse ao taxista , o mais confiante que consegui, para me levar ao centro, na esperança que ele não topasse que eu não fazia a minima ideia de onde estava e para onde ia. Perguntou-me logo se era a primeira vez na Índia? 2ª disse eu sem hesitaçoes. Parece que deu mais ou menos certo, deixou-me no sitio certo. Não sem antes tentar levar-me várias vezes a aceitar sugestoes e contactos de hoteis para ir. Até me passou para a mao o telefone ligado para eu falar com alguém com quem ele estava em contacto, o que eu recusei com um misto de (pseudo) desinteresse e desprezo. Estava básicamente armado em bom. A esta altura já estava impressionado com o aspecto da cidade. Mesmo com pré-aviso impressiona. Infelizmente não estudei minimamente “O livro” do viajante na Índia (o Lonely planet) que, depois li, avisa para ter cuidado com os muitos agentes de turismo que se anunciam oficiais (“work for goverment, no comissions”), mas que não sao, e que estao prontos para nos “dar” toda a ajuda que precisemos. Depois de 5 segundos (!!!) de sair do taxi já tinha um fulano de aspecto duvidoso a querer levar-me para um “Official Turist Office, right here, come come”. Como 5 segundos foi o que demorei a entender que afinal aquilo que no mapa parecia uma pequena e tipica praça cental de uma cidade era na realidade um gigantesco, caótico, sujo, barulhento, cheio de transito e aparentemente labirintico conjunto de avenidas que realmente fazem uma volta parecida a um circulo, circulo que no mapa parece uma praça central. É central, mas não é bem uma praçazita. Como percebi instantaneamente que jamais iria encontrar um Hotel que eu nem me lembrava o nome, deixei-me rapidamente ceder ao convite deste senhor. Nesta agência de turismo “oficial” (na realidade, oficial mesmo, e recomendavel, só existe uma agência, a que recomenda o LP) fui bem rebecido por uma elegante jovem Sikh que me tranquilizou rapidamente e em 5 minutos me preparou um percurso turistico completo para os 10 dias que eu tenho antes de Rishikesh.

O meu plano era simples: Delhi de passagem, Agra por obrigaçao, para tirar a inevitável foto do Taj Mahal, e só porque está a meio caminho para a mitica Varanasi (antiga Benares), onde ficaria mais uns dias apreciar os Ghats e tudo o mais que houvesse para ver nessa cidade onde domina o culto a Shiva nas margens do Ganges. Mas nao sei como, talvez devido à junçao de cansaço e medo, ou à simpatia e competência deste boy, 10 minutos depois tinha aceite comprar um plano turistico de gama média (ou seja, não ia ficar com os backpackers) passando 3 dias por Jaipur no RaJasthan com direito a passeio em elefante, pelo meio mais outra cidade que nao lembro do nome antes de Agra , depois Agra, só depois Varanasi, e entao comboio para norte directo até Hardiwar, já mesmo ao pé de Rishikesh. Vá lá ainda tive lucidez para recusar um mini safari atrás de Tigres num parque qualquer na zona de Agra! O plano incluia os Hotéis, taxis e rishikaws em todo lado á minha espera e disposiçao, e os bilhetes de comboio. Só teria de pagar extra a alimentaçao e as entradas nos monumentos. E as gorjeta que achasse devidas. Felizmente os meus cartoes Visa não funcionaram direito e só pode pagar parte do total no acto de compra. Isso permitiu-me voltar hoje e renegociar o tour, tirando todo o Jaipur, aumentando um dia aqui em Delhi, e diminuindo a conta a pagar. Ou seja, voltei ao plano original da minha cabeça, embora um pouco mais caro e menos auto-suficiente do que o imaginado. No entanto, verdade se diga, este plano mesmo assim tem um custo aceitável. Se o fizesse eu talvez o fizesse por menos uns 200 euros, mas com muito mais insegurança e sobretudo com muitas perdas de tempo na compra de bilhetes, marcaçoes de hoteis, achar hoteis decentes, etc. Assim vou a muitos mais sitios, muito mais rápido e muito mais seguro. Basta-me dizer ao meu motorista, o Raj, onde quero ir, ou simplesmente aceitar as suas indicaçoes, todas elas préviamente estudadas e que incluem lojas e restaurantes onde não tenho nenhum interesse em ir, mas que lhe dao comissoes a ele, ou pelo menos ao patrao dele.

O Raj, o meu motorista-guia desigando tem 38 anos, é hindu, originário de uma aldeia qualquer no Rajasthan, casado e com 4 filhos. É analfabeto, mas fala, além de Hindi e Rajasthaní, ingês e até umas palavras de japonês. Aprendeu com os turistas. O proximo passo dele, se continuar a acumular bom karma, é comprar o próprio Taxi, que por aqui costumam ser Suzukis, Toyotas ou Tatas, a maioria minusculos e quadradinhos, aqueles utilitários de gama mais baixa que também temos na Europa. Delhi está cheia deste tipo de carros a circular por todo lado, parecendo seguir apenas uma regra básica de transito: não chocar! Mas chocam. O Raj faz rezas e adoraçao (pujas) a Durga em busca de Poder. Secundáriamente também a Ganesh (boa sorte), e a Parvatí (prosperidade). Veja-se como a famosa “espiritualidade hindu” convive harmoniosamente com o mais puro materialismo. É gordinho e simpático. Hoje deu-me uma dica boa de restaurante aqui mesmo ao pé do Hotel Blessings, e sobre como obter bilhetes de comboio sem ser roubado por oportunistas (como os da agência para quem ele trabalha), na estaçao de comboios de Nova Delhi (por distinçao de Old Delhi), a mais importante, também aqui ao lado do meu Hotel. “Don t tell my boss, or will get fired!”. Ok. “Please don t say my name, please don t tell my boss.” Ok, ok. Fez-me logo as perguntas tipicas que qualquer indiano faz a um estrangeiro: Frist time in India? How long wiil you stay? Where do you go? How old are you? Are you married? Have children? Where is your wife? What is your profesion?. Isto sao as perguntas tipicas, quase oficiais, feitas não só para ser simpaticos e meter conversa, não só para saber o quanto podem sacar de nós. Essas perguntas, principalmente as relativas a familia e trabalho, sao as perguntas fundamentais da Vida para um indiano, e fazem-nas por genuina curiosidade. Aliás, sao em geral muito simpaticos, não só por necessidade, mas também por educaçao. É falta de educaçao não responder, e é de bom tom perguntar o mesmo ao inquiridor. Podem até perguntar quanto $ ganhamos, e acham sempre muito estranho sermos casados e não termos filhos.

Ontem, ainda no mesmo dia em que cheguei, depois de um curto sono e banho, o Raj levou-me a South Delhi a ver o “mini” Taj Mahal, anterior e inspirador do de Agra. É também um tumulo muçulmano. E se este é o mini tenho mesmo que ir ver o macro! Depois, ainda no Sul de Delhi fui ver outro monumento qualquer que nem sei bem o que era. Nas realidade ainda estava deslocado, cansado, algo receoso, a adaptar-me ao facto de que estou na Índia! ESTOU NA ÍNDIA!

Hoje de manha (5ª, dia 5) ia sair cedo para explorar a Old Delhi. Comi cuidadosamente o pequeno almoço. Ou seja, comi o pao das sandes de vegetal, e bebi agua mineral devidamente engarrafada ( é a única opçao se exceptuarmos a Coca Cola). 5 minutos depois senti um acesso de vómito! Um minuto depois senti outro. !!! Numa fracçao de segundos revi mentalmente todos os relatos que dizem ser muito comum uma intoxicaçao alimentar acontecer e provocar vomitos, diarreias severas e até desinterias de vários tipos. Coisa para passar uma semana de baixa atrelado a uma sanita! Ao terceiro acesso de vómito não hesitei, e provoquei o vómito sem mais demoras até ter a certeza de que tinha deitado fora absolutamente tudo o que tinha comido. Bebi 1 litro de agua mileral. Descansei um bocado na cama e umas horas depois estava aparentemente bem. Até agora. Deve ter sido só um susto. E que susto!

Old Delhi.

Hoje tinhamos ficado de ir a Old Delhi, a antiga e mais tardicional Delhi. A primeira paragem, a meu pedido, foi uma grande mesquita que ali há. Não sei os nomes, mas esta tudo na internet. Depois foi o Red Fort, que esta mesmo ao lado. Tudo isso faz parte da era muçulmana da Índia que foi a que deixou mais arquitectura em pé até aos nossos dias, mas para falar a verdade não me impressionou muito. Gostei mais de ter andado de bici-rikshaw pela primeira vez. Sim, com um transito absolutamente infernal há volta! Depois, enquanto o gajo que pedala o rikshaw e o Raj esperavam a minha volta, cada um no seu ponto de entrega, aproveitei o facto de estar sozinho para explorar um pouco as reulas de Old Delhi. O Raj não é nada entusiasta de me ver a andar sozinho seja lá por onde for, muito menos nas ruas estreitas, labirinticas e hipercongestionadas de Old Delhi- “If you desapear i lose my job”. !!! Por muito simpático que ele seja eu prefiro não desaparecer pelos meus próprios e óbvios motivos! Antes de me deixar ir no Risksaw disse-me varias vezes “be careful, ok?” Ok, mas estava a começar a sentir-me mais adaptado e relaxado. Estava a começar a desfrutar. E o que me interessa relamente não é ver monumentos e sim “the real Índia”, a vida diária, as ruas onde isso acontece. E onde melhor que Old Delhi? Vi um pequeno grupo de turistas ocidentais e discretamente segui-os. É incrivel como ver turistas ocidentais (menos do que esperava. Ou não ficam muito em Delhi, ou até sao muitos mas no meio de tanto indiano quase nem se vêm) me dá sensaçao de segurança. Ilusória diga-se de passagem. De que raios é que valem 2 ou 3 ocidentais desconhecidos e perdidos no meio de multidoes imensas de indianos em ruas estreiras e labirinticas? É curioso que no Brasil eu passava perfeitamente por mais um, e isso dava-me liberdade, a liberdade de passar discreto. Aqui sou um turista ocidental, sem a menor duvida! Talvez por isso não consegui atrever-me a adentrar muito as ruas de old Delhi sozinho. Uns 200 metros para dentro e senti-me completamente desamparado. Mais 2 ruas e novas tentativas de penetraçao depois voltei atrás contente por este primeiro passo de rebeliao contra os esforços dos meus organizadores de viagem. Disse ao Raj que amanha quero voltar. Ele disse que sim, claro, mas com aquela expressao tipica de quem diz, depois veremos, hei-de levar-te para outro sitio, verás. Rsrsrsrs

De volta ao centro, a New Delhi pois pedi-lhe que me levasse a algum templo de adoraçao a Shiva. Sim, claro, disse ele, mas afinal era um templo de adoraçao a uma dezena de deuses, tudo (mais ou menos) limpinho, bem decorado, cheio de visitantes mais que de peregrinos e devotos.

Como a jeito de compensaçao liberou-me (e a ele próprio) para noite, dando-me indicaçao de uma zona perto e boa (“full of tourist”) para jantar mesmo aqui ao lado do Hotel e ao lado da estaçao. Na realidade é o bairro ende estou, mas eu só tinha visto a minha rua, cheíssima de gente como todas, mas aparentemente não muito frequentada por turistas. Ledo engano, na esquina da rua que dá para a estaçao dei com um mundo hipercolorido, hiperactivo, ao estilo Old Delhi, cheíssimo de lojas de tudo e mais alguma coisa de com muitos hóteis e restaurantes, incluindo uma boa dose deles nitidamente dirigidos ao turista que por aqui sao bem visivéis. É uma especie de sitio para receber e despedir do turistas que vêm a Índia, pois é muito perto do centro e mesmo em frente a estaçao. Estou bem situado afinal de contas. Não que a zona seja “fina”. É suja, barulhenta, cheia de gente e caes vadios, corre-se o risco de ser atropelado a qualquer momento, mesmo ali, numa rua estreira, esburacada, enlameada, mal cheirosa e cheia de movimento a pé! Segura, apesar de se verem bastantes turistas ocidentais, também não deve ser, porque o Raj disse-me “be careful ok?” Ok. Mas é uma zona boa para o turista se hospedar, sair a noite, comer e dormir. Tem ali (aqui) vários sitios recomentados pelO Livro.

Já vi prédios dominados por macacos, e cabras, vacas e elefantes a vaguear no meio da rua. Hoje de manha ao pequeno almoço uma vaca ocupou insistentemente a entrada do restaurante a pedir comida. Ainda não acho normal. Viro-me e páro para ficar a olhar. É outro conceito quanto a organizaçao, higiéne, saneamento, potabilidade, etc. Um Europeu diria que pura e simplesmente não existe cá nada disso. Ainda não acho normal. Gente a dormir no passeio em todo lado, a qualquer hora, inconscientes de toda a poluiçao de todos os tipos, que aqui é o normal. Para mim ainda não. Todos os sitios têm gente na rua. Muita dessa gente não tem casa, vive ali mesmo. Come, dorme, compra e vende, trabalha, caga e tem filhos ali mesmo, no passeio, ou até na própria estrada. Alguns dormem tao despojados no cimento poeirento que parecem mesmo mortos. Ainda não acho normal. Mas agora que já começo a adaptar-me e a relaxar estou a gostar. Não da pobreza. Nem sei bem de quê. Talvez porque que é diferente. Talvez porque eu queria ver algo diferente. Talvez proque eu queria muito vir a Índia. Estou cá . ESTOU NA ÍNDIA. Estou feliz. E o resto logo se vê. Tudo há-se resolver-se e correr pelo melhor!
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Londres: neve e caos!

Um dos motivos pelos quais quis viajar nesta altura para Londres era para ver como é a Vida cá no Inverno. Como é o dia-a-dia de trabalho com a chuva, os dias curtos, escuros e frios.

Amigos de cá tinham-me dito que chove menos em Londres que no Porto. Eu não acreditei. Ninguém acredita. Mas é verdade. Em duas semanas não choveu muito. E sobretudo não choveu forte, dia nenhum. Todas as pessoas de Portugal me têm dito horrores do tempo lusitano e concerteza tem estado pior que cá. Ou entao é porque em Portugal temos outras expectativas e exigencias quanto a este assunto. Claro que esteve sempre “fresco”, a luz nunca chegou a abrir como num dia razoável em Lisboa, e um impermeável é quase indispensável em qualquer situaçao. Mas estava a ser muito melhor do que esperava. Pensei: sim, aqui pode-se viver sem problemas de maoir no que ao clima diz respeito. Até proque cá só faz frio na rua. Nas casas, cafés, escolas de yôga, mercearias, museus, etc, está tudo SEMPRE bem aquecido. Até as muitas casas que sao antigas, do tempo da guerra, antigos bairros sociais fabricados a pressa por todo lado, sao perfeitamente aquecidos. Na pratica no Inverno sofre-se muitíssimo mais frio em qualquer lugar de Portugal ou Espanha, onde supostamente faz mais calor.

Bem, estava bom tempo. Bom relativamente ás minhas expectativas. Estava. Esteve.

Ontem a noite começou a nevar. Foi tao bonito! Eu nunca tinha visto nevar a sério. Em poucas horas estava tudo branco. Lindo. Mas não parou. Hoje de manha estava tudo ainda mais nevado. E continuava a nevar. O metro não funcionava. Os bus também não. Os comboios também não. Os poucos taxis tinham pedidos de reserva com direito a esperar 3 horas. Ir ao aeroproto estava fora de possibilidade. Não há problema. O aeroporto que me ia levar para outro continente também estava semi inutilizado. Os voos da BA todos cancelados, incluindo o meu! E continua a nevar, até agora.

Dizem que foi o pior nevao em décadas. 60% das pessoas não trabalharam. 80% das escolas fechadas. Restaurantes, lojas e tal pelo mesmo caminho. O Hyde park cheio de gente a desfrutar da neve. Não sei se é bom ou mau. Eu espero poder ir amanha embora. Mas sinto que foi um último presente de Londres para mim.

Caos

O grande problema disto tudo nem foi o dia a menos no meu destino principal. O grande problema foi o day after, a ressaca. Tudo na cidade volto a funcionar. A neve dimunuiu ou passou a gelo. Mas no aeroporto estavam a tentar recuperar os atrasos, retençoes e atascos do dia anterior. Estava superlotado! Não diria caótico. E nisso, ser Londres creio que faz muita diferença, porque o que eu vi, s efosse em Portugal teria sido lindo...Embora isto tenha sido u m grande e aborrecido atraso para chegar a onde mais quero ir, de certa forma todo este caos é um pouco como se a Índia tivesse vindo até londres, numa missao de boas vindas e ambientaçao mental para a “normalidade” que espero encontrar neste continente.

Estive 3 horas de pé a fazer check do meu voo que tinha remarcado no dia anterior pelo telefone. Li um livro inteiro em pé na fila. A história de um teenager inglês que foi paar a índia atrás de uma paixoneta, passou horrores, foi abandonado, mas acabou pro adorar a experiência. Espero não ter exactamenet a mesma história para contar, muito embora o livrinho até seja bem divertido. Mas o meu programa é bastante diferente. Depois o voo atrasou-se mais 6 horas! Deveriamos ter partido pelas 11.50, mas partimos ás 17.50. Bom...

O mundo está mesmo pequeno. No aeroproto por acaso conheci uma francesa que se sentou ao meu lado e que me fez companhia boa parte do tempo atascasdos a espera do atraso. Infelizmente não ficamos juntos no aviao, como seria de prever. Mas isso teve um lado positivo. A meio da viagem descobri que o gajo no assento ao meu lado, que eu tinha assumido ser indiano, afinal era português!?! Aliás, tem dupla nacionalidade. É do Punjab mas vive em Lisboa a 8 anos. Trabalha nas docas num restaurante português, fala protuguês e veio de férias como eu, embora no caso dele a ver a familia. Isto é que é mesmo viver num mundo pequeno! Se calhar nem somso os únicos portugas on board!

Vou chegar daqui a duas horas a Delhi. Nao sei se tenho realmente Hotel marcado. Até tinha antes do meu voo ter sido cancelado. Entretanto até avisei do facto, para reservar para um dia mais tarde, mas não chegeui a receber resposta. Que s elixe. Apareço lá e pronto, deve haver algo livre. É no centro de Delhi. Tudo o que se quer deposi de dia e meio em viagem destas é uma cama e um banho. Resta saber que cama e que banho. Logo eu que até gosto de tomar banho de boca aberta, e na Índia nem uma gotinha de agua do cano posso beber!? Não há-de ser nada...

Estou finalmente a chegar a Índia. Era o que eu queria. Estou feliz.
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Viajar ou não viajar...

Quando ainda estava em Portugal passei a última semana básicamente a hibernar. Muita gente me dizia mil e uma coisas acerca da viagem que estava prestes a começar.

Uns diziam que eu ia adorar a Índia, outros que ia detestar. Por isto, por aquilo, por aqueloutro... O mais curioso é que nenhum desses lá foi, ou conhece sequer um vigésimo do que eu sei por estudo e curiosidade intlectual. Já eu não sabia, e não sei, se vou gostar ou não, e nem tenho pressa em saber. Se já soubesse para quê ir lá? Quando lá estiver logo vejo. Logo conto.

Outra coisa que ouvi muito foi: “vais voltar?”. Essa foi possivelmente a pergunta que mais me fizeram. E eu fiquei intrigado proquê, já que eu sempre parti do principio que sim, vou e volto. Não sou vidente e nem faço planos muito rigidos mas suponho que sim, vou voltar. Será que eu tenho cara de hippie, ou transmito a sensaçao de querer fugir de alguma coisa, ou estar a procura de alguma outra, ou seja lá o que for que levava as pessoas a pensar que poderia não voltar? E voltar para onde, para o quê, para quem? Sou um cidadao do mundo, já dizia Socrates... Sou o mundo, diria eu! Ok, temos ego, ligaçaoes emocionais, familia, gente chegada, uma terra mais nossa, mais casa. Presumo que sim, voltarei.

Outra pergunta que se tornou cada vez mais frequente foi: “estás excitado com a viagem?” R: Não. Não estava mesmo. Na realidade estava bem em casa, a hibernar. Eu gosto, e gostei ainda mais talvez por saber que durante 3 meses pelo menos não ia ter isso. Não, não estava excitado com a viagem. Como sempre fiz a mala no dia antes, tomei as vacinas na manha do dia que parti, etc. Só no dia da viagem é que começo a viajar. Quando estava em Espanha também não estava a pensar muito em Londres, e agora que cá estou pouco penso na Índia. Talvez na próximo domingo a noite comece outra vez a sentir o estomago a mexer-se...

Em geral consigo viver e desfrutar mais ou menos bem o presente, “ o momento”. Principalmente se estou a fazer o que quero, se não me sinto preso. Se estou muito preso e parado sinto-me limitado, frustrado, e começo a sonhar... E claro que também já me senti assim, faz parte, mas não me posso queixar. Se estou a viajar, conhecer pessoas, conhecer mais yôga, aprender mais, e com prespectivas de continuar asism um bom tempo mais sinto-me preenchido e realizado. Não preciso sonhar, porque o sonho está a realizar-se acordado. E chego ao fim do dia cansado, durmo profundamente. E a Vida flui. Definitivamente preciso de movimento, não me posso deixar aterrar muito. Preciso de estar a aprender ou construir. Empenhado ou solto. Ou os dois. Preciso de estar a descobrir novas possibilidades de existir, ou a evoluir numa delas. No movimento encontro mais vigor, e até mais estabilidade. Parado no mesmismo soterro. Como eu não sou muito idealista, não creio em progresso e não acho que eu ou o mundo esteja a evoluir em direçao a coisa alguma tenho dificuldade em entregar-me a construir um projecto. Falta-me a conviçao de quem sabe que é absolutamente necessário e útil. Sem esse idealismo para me aquecer o sangue carburo mal. Por isso acabo por encontrar mais facilmente satisfaçao em simplesmente conhecer, descobrir, em ser supreendido, em abrir possibilidades de existência na minha consciência, em entender. Comtemplar.

Claro que tudo tem os seus momentos. Ontem o meu corpo somatizou esta recente evoluçao. Duas semanas a mexer tanto, a praticar tanto, a conhecer tanto, a dormir nao tanto, a mudar tanto, tanto a mais do que antes, tem o seu preço, o desgate de estar a mudar, o preço de estar em movimento continuo: cansaço, depressao, saudades, RESSACA. Tenho óptima memória, em geral não esqueço nada nem ninguém, pelo menos do que é improtante,. Mas também nao sou de estar sempre a pensar no que ficou para trás, a pensar no que nao tenho aqui e agora. Nesse aspecto sou positivo. O que tenho aqui e agora é a oportunidade de conhecer mais, de crescer como pessoa, e isso é o que eu quero. No entanto hoje lembrei-me de tudo aquilo que é casa. Principalmente de todos os que sao casa. Vou aliviar um pouco, não muito. Isto faz parte, e passa. Tudo tem sempre o outro lado.

Tudo tem sempre o outro lado...

Uma das frases que mais tenho ouvido entretanto é: “Ai que inveja, também queria...”. A sério? Queria mesmo? A maioria das pessoas que me dizem isso poderia fazer exactamente o mesmo que eu, se quisessem. Agora. Se realmente quisessem. Mas as pessoas dizem que querem da boca para fora. Se quisessem mesmo faziam. Mas não querem. Não querem deixar a sua casa para trás por 3 meses e resumir a sua carga a uma mochila que nem sempre dá para desempacotar. A casa para a qual trabalham pelo menos 2 semanas por mês (mais uma para o Estado, e, com sorte, trabalham alguns dias para dar Vida ao que supostamente realmente gostam). Nao querem deixar a merda de emprego que têm e que dizem odiar todos os dias. Não querem sequer pensar em ficar 3 meses longe dos que mais gostam, mesmo que se queixem deles todos os dias. Não querem ver que poderiam fazer isto se quisessem, tao simplesmente como dizer: quero e vou. Sim, isso pode ser assutador, porque isso desperta o poder da escolha em cada um, a responsabilidade por fazer o que se quer, o risco de sair do suposto “tem que ser”... Não tem de ser. E os pai se os filhos, o patrao, o sistema e a crise não sao desculpas. Ou melhor, sao desculpas! A maioria não quer fazer uma viagem destas, a maioria quer mesmo a rotina que já vive. Incluindo o queixar-se de tudo e todos, o achar que tudo é dificil, que está tudo mal, o dizer “que inveja, também queria...” E isso não tem nada de mal.

Hoje não digo que vos invejo e também queria. Mas digo que tudo tem o outro lado, que viajar sem pensar no amanha não é mesmo para todos, que mesmo quem gosta muito, como eu, ás vezes tem saudades de casa, tem saudades de vocês.

Beijos.

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domingo, 25 de janeiro de 2009

Portobello Road, Notting Hill

St Evans Road, no north Kensighton, é prependicular a Portobello road. Eu estou precisamente aqui. Uma zona residencial bastante central em londres. Não a melhor zona residencial, mas bastante perto de algumas das melhores (Holland Park e Souht Kensighton por exemplo, onde também estao alguns dos melhores museus da cidade)

Portobello road é actualmente conhecidissíma por causa da comédia romantica “Notting Hill”. Antes era uma rua mais. Um mercado mais, dos muitos que ainda existem pela cidade. Com mercados quero dizer feiras ambulantes. Claro que não sao daquelas feiras ambulantes em descampados dominadas por ciganos como ainda se vê em Portugal. Mas, também não é muito diferente. O que se passa é que aqui também há muitos feirantes ingleses, e de outras nacionalidades. Os chineses e ciganos acabam por ser apenas uns mais. E depois, estes mercados sao relativamente mais pequenos. Uma rua, por baixo de um viaduto, um cantinho qualquer. Alguns sao especializados em comida, outros em roupinhas e roupetas, outros têm um pouco de tudo. Este de Portobblelo road é desses que tem de tudo. Frutas e vegetais, comidas rápidas variadas, livros, velharias, roupas.... Dá colorido a rua. Como a rua ficou estrondosamente famosa com o filme é invariávelmente invadida por turistas de todas as partes. As mulheres chegam a delirar só de estar ali. Comprar uns oculos foleiros no mercado onde o Hugh Grant se passeava é outra coisa, outro charme. Tirar uma foto ali é agora tao tipico como no Big Ben. Ali e na livraria de viagens que serviu de inspiraçao ao filme, e que existe mesmo. É muito interessante ver uma japonesa ou italiana a tirar a sua foto toda emocionada. O romance é algo realmente forte, e é universal. Alimentamo-nos de emoçoes tanto ou mais que de comida própriamente dita. O certo é que a ru atambém tem uma série de cinemas, restaurantes, cafés e outras coisas que a fazem bastante agradável. Mesmo para mim que sou demasiado cinico para desfrutar destes fenomenos de moda emocional, histéricos e massivos...

O melhor de tudo é que aqui mesmo ao lado de casa, ao virar da esquina tem a pastelaria “Lisboa”, onde posso ir comer um belo pastel de nata! Um toque casa ao lado de casa. Estou mesmo bem.

Hoje o dia esta escuro e chuvoso. Depois de varios dias a praticar muito e a caminhar ainda mais pelos varios bairros e parques soberbos da cidade (ontem o parque-bosque de Hampstead) , montamos a sala para fazer ums bela tarde e noite de cinema, comer, e não fazer mais nada! Qualidade de vida...

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Como conhecer uma cidade?

Como conhecer uma cidade? É simples: isso é impossivel. Mesmo viva 50 anos em Lisboa nao vai nunca conhecer a cidade toda. Até porque tudo está sempre a mudar. E se digo Lisboa digo muito mais NY, ou Londres, Madrid, Sao Paulo, Buenos Aires ou Beijin! O que um turista faz habitualmente é procurar ficar com uma vaga ideia. E mais vaga ainda porque costuma ter pouquissímo tempo e investe-o a querer ver o máximo possivel. Assim, acaba por fazer os intensivos roteiros dos guias turisticos, batendo os locais mais históricos e tipicos. Típicos principalmente para turistas! Ok, nada contra. Eu, como turista, ás vezes também embarco (parcialmente) nesses raides intensivos. Mas sempre que posso escapo.

O primeiro passo dou-o, em geral, antes mesmo de chegar ao lugar. Consiste em saber e aceitar que nao vou conhecer a cidade toda. Nem quero. Aliás, nem toda nem sequer uma minima parte. Tendo essa primeira parte sido estabelecida o segundo passo dá-se com naturalidade: relax! Nao vamos a algum lado para stressar. Se nao conhecer nada incrivel...nao conheço! Algumas das minhas cidades preferidas nem sequer têm nada de especial para ver ou fazer. Mas têm pessoas, têm um ambiente, um estilo de vida, algo que agrada. E é precisamente isso que procuro descobrir: as pessoas e o seu estilo de vida. A Vida das pessoas nao costuma ser feita de “incrivéis” e “fantásticos”, e sim de normalidades, rotinas, hábitos, etc. É isso que quero conhecer. Os hórarios, os trasportes, que supermercados frequentam, quais e como sao as escolas dos filhos, que tipo de roupa vestem, como se divertem, como descansam, que Tv vêm....

Sempre que posso viajo a trabalho. Prefiro viajar a trabalho do que como mero turista. E sempre que vou de turista, como agora estou, procuro integrar-me de alguma forma na rotina de quem nao o é. Ou seja, tento ficar com amigos e ou colegas que vivam no lugar, e de alguma forma integrar-me no seu trabalho, afazeres, diversoes, etc. Por sorte sou professor de yôga, de um yôga que tem faz enfase num conceito fantástico e terrivel chamado: egrégora. Egrégora é a força de grupo, a dinamica do grupo, o grupo. Na pratica isso permite-me conhecer gente em bastantes sitios e saber que conto com alguma receptividade porque todos temos algo em comum. E ás vezes até é mesmo amizade.

O yôga ensina a concentrar-nos. Eu gosto de yôga, os seus conceitos, conselhos e praticas fazem sentido para mim. Tento aplicar o yôga em tudo o que faço. E talvez por isso dediquei-me ao próprio yoga. O circulo fecha-se. O Yôga ensina-nos a concentrar num único ponto, focar, estabilizar, manter estável, e desse foco estável, surge o conhecimento. Da concentraçao, que aparentemente diminui o movimento, acaba pro surgir algo mais profundo, que está para além da superficialidade. Neste caso da superficialidade dos roteiros turisticos. Assim, viajo com o foco no próprio yôga. Estou principalmente com professores e alunos de yoga. Vou a escolas de yôga. Pratico yôga. E assim acabo por conhecer gente através do yôga. Gente da mais diversa, gente local, gente real! Sobretudo evito ver só outros turistas, todos a fazer o mesmo programa alienado da realidade quotidiana. Ao procurar as escolas, ao visitar os amigos, ao seguir com eles as suas rotinas acabo por conhecer muito melhor a cidade e suas gentes. Pelo menos conheço relativamente bem algumas das pessoas e actividades.

E assim tenho andado. Dormo, como, descanso, vejo Tv, navego na internet, vou a escolas de yôga, pratico, medito, vou as compras, ajudo nas rotinas da casa, passeio... Estou ainda muito longe de ser um Londinense, e nem sequer tenho pretensoes a conhecer Londres. Mas estou contente, tranquilo e...feliz. Logo eu que nem acredito em felicidade!
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domingo, 18 de janeiro de 2009

Conectado, desconectado

Há cerca de 3 anos deixei o telemóvel. Nunca gostei muito de falar ao telefone. Aliás, muito nao, nada. Entretanto, em Portugal outra vez, fiz uma tentativa semi-frustrada de re-adaptaçao. Mas definitivamente prefiro a internet. O mail e o messenger. Para algumas coisas o blog. E hoje em é tao fácil mantermo-nos conectados a internet! Além dos tradicionais cibercafés locutórios que existem em todo lado, a esmagadora maioria das casas que frequento têm conexao de alta velocidade. A maioria de hotéis também. Depois há os restaurantes, cafetarias, aeroportos, etc. com wifi aberto. Basta ter um treminal acessivel. E para isso existem os portáteis. E no último ano surgiram os mais perfeitos de todos os portáteis, os “netbooks”, miniportáteis que pesam menos de 1,5 kg, ás vezes menso de 1 kg, e que sao do tamanho de um livro médio. Ou seja, perfeitamente transportavéis. Nao sao um PC apto para tudo, mas para escrever um texto básico e navegar pela internet sao perfeitos! Assim, agora, o mais dificil é nao estar conectado à Rede! Nao sei se feliz se infelizmente...
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Viagens: Mundaka, do ar!



No voo de Madrid para Londres passei mesmo por cima de uma das melhores ondas do mundo: Mundaka. País Basco, mar cantábrico. Na foto quase nao se percebe, mas do aviao dava para perceber que estava a "bombar"!
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Madrid

Cá estive mais uma vez, mais uns dias. Nao conheci muito mais do que já conhecia mas conheci um pouco mais e melhor. Revi amigos, conheci mais escolas de yôga e voltei ao museu Reina Sofia.

Da última vez fomos lá, e por incrivel azar, a mais famosa obra, o Guernica do Picasso, tinha sido pela primeira vez retirado para expor em Paris e portanto nao o vimos. Nao que faltem outras boas obras para ver, antes pelo contrário. Mas o Guernica é fundamental. E por isso desta vez voltei a entrar exclusivamente para vê-lo. E valeu a pena. O facto de ter todos aqueles desnhos preparativos, o saber da história dramática que quer expor, e até a grandiosidade da própria tela formam um conjunto de factores que fazem qualquer fraco apreciador render-se à evidencia da obra prima em questao. Ainda assim continuo a gostar mais do Dalí, que é o único pintor de que desfruto relamente. E também dele ali tem uma razoável coleçao.

Esteve um frio de rachar. Quando chegeui estava mesmo a nevar. Mas eu prefiro o frio ao calor de Madrid. E adorei cá estar, mais uma vez. Creio que nao poderia viver ali, tao longe do mar, atrofiado pela pressao de uma metropole em rápido crescimento. Mas voltar creio que voltarei bastante.

E com um saltito me translado a Londres, para uma paregem maiorzita!
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Partida



O momento de partir, vencer a inércia, é, para mim, o mais dificil. Mas já estou em movimento!

Primeiro passo: Las Palmas. Calor (24 graus) , gente na praia, ares co um pouco de Africa. Antes de seguir para o interior e estar 2 meses e eio sem ver mar (um recorde para mim) dou-me um pouco de atlântico!

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Índia -Turismo Espiritual

(há uns 3 anos escrevi)

Gostava de ir à Índia.

Sei que aquilo está mais cheio de miséria, crendice, vigaristas e que qualquer outro pais do mundo. Sei que seria mais um ocidental a alimentar essa histeria.

Não iria em busca do Yôga que está em mim. Ou Mestre, que já escolhi. Não iria em busca de iluminação que...

Não iria para praticar, nem para estudar, nem conhecer nada nem ninguém em especial. Sem esperar revelação alguma. Nada que não possa ler em livros e coisas que tais. Talvez um pouco do folclore, cuja cor e o som só ao vivo têm encanto.

Então ir para quê?

Pelo mesmo motivo que o emigrante volta ao seu país. Por nostalgia. Neste caso cultural. Um misto de encontro com as origens e oportunidade de mostrar o sucesso conseguido “lá fora”.

E porque sou curioso. E porque gosto de viajar. E porque queria lá fazer umas compras.

No fundo quero fazer puro turismo. Turismo espiritual.

Hoje o essencial mantém-se. Alguns pormenores teria de mudar. E o que é a vida senão um grande amontoado de pormenores? Mas os desejos tendem a concretizar-se, não sei se feliz se infelizmente. Agora não trocaria esta viagem por nada!
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