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sábado, 7 de fevereiro de 2009

Londres: neve e caos!

Um dos motivos pelos quais quis viajar nesta altura para Londres era para ver como é a Vida cá no Inverno. Como é o dia-a-dia de trabalho com a chuva, os dias curtos, escuros e frios.

Amigos de cá tinham-me dito que chove menos em Londres que no Porto. Eu não acreditei. Ninguém acredita. Mas é verdade. Em duas semanas não choveu muito. E sobretudo não choveu forte, dia nenhum. Todas as pessoas de Portugal me têm dito horrores do tempo lusitano e concerteza tem estado pior que cá. Ou entao é porque em Portugal temos outras expectativas e exigencias quanto a este assunto. Claro que esteve sempre “fresco”, a luz nunca chegou a abrir como num dia razoável em Lisboa, e um impermeável é quase indispensável em qualquer situaçao. Mas estava a ser muito melhor do que esperava. Pensei: sim, aqui pode-se viver sem problemas de maoir no que ao clima diz respeito. Até proque cá só faz frio na rua. Nas casas, cafés, escolas de yôga, mercearias, museus, etc, está tudo SEMPRE bem aquecido. Até as muitas casas que sao antigas, do tempo da guerra, antigos bairros sociais fabricados a pressa por todo lado, sao perfeitamente aquecidos. Na pratica no Inverno sofre-se muitíssimo mais frio em qualquer lugar de Portugal ou Espanha, onde supostamente faz mais calor.

Bem, estava bom tempo. Bom relativamente ás minhas expectativas. Estava. Esteve.

Ontem a noite começou a nevar. Foi tao bonito! Eu nunca tinha visto nevar a sério. Em poucas horas estava tudo branco. Lindo. Mas não parou. Hoje de manha estava tudo ainda mais nevado. E continuava a nevar. O metro não funcionava. Os bus também não. Os comboios também não. Os poucos taxis tinham pedidos de reserva com direito a esperar 3 horas. Ir ao aeroproto estava fora de possibilidade. Não há problema. O aeroporto que me ia levar para outro continente também estava semi inutilizado. Os voos da BA todos cancelados, incluindo o meu! E continua a nevar, até agora.

Dizem que foi o pior nevao em décadas. 60% das pessoas não trabalharam. 80% das escolas fechadas. Restaurantes, lojas e tal pelo mesmo caminho. O Hyde park cheio de gente a desfrutar da neve. Não sei se é bom ou mau. Eu espero poder ir amanha embora. Mas sinto que foi um último presente de Londres para mim.

Caos

O grande problema disto tudo nem foi o dia a menos no meu destino principal. O grande problema foi o day after, a ressaca. Tudo na cidade volto a funcionar. A neve dimunuiu ou passou a gelo. Mas no aeroporto estavam a tentar recuperar os atrasos, retençoes e atascos do dia anterior. Estava superlotado! Não diria caótico. E nisso, ser Londres creio que faz muita diferença, porque o que eu vi, s efosse em Portugal teria sido lindo...Embora isto tenha sido u m grande e aborrecido atraso para chegar a onde mais quero ir, de certa forma todo este caos é um pouco como se a Índia tivesse vindo até londres, numa missao de boas vindas e ambientaçao mental para a “normalidade” que espero encontrar neste continente.

Estive 3 horas de pé a fazer check do meu voo que tinha remarcado no dia anterior pelo telefone. Li um livro inteiro em pé na fila. A história de um teenager inglês que foi paar a índia atrás de uma paixoneta, passou horrores, foi abandonado, mas acabou pro adorar a experiência. Espero não ter exactamenet a mesma história para contar, muito embora o livrinho até seja bem divertido. Mas o meu programa é bastante diferente. Depois o voo atrasou-se mais 6 horas! Deveriamos ter partido pelas 11.50, mas partimos ás 17.50. Bom...

O mundo está mesmo pequeno. No aeroproto por acaso conheci uma francesa que se sentou ao meu lado e que me fez companhia boa parte do tempo atascasdos a espera do atraso. Infelizmente não ficamos juntos no aviao, como seria de prever. Mas isso teve um lado positivo. A meio da viagem descobri que o gajo no assento ao meu lado, que eu tinha assumido ser indiano, afinal era português!?! Aliás, tem dupla nacionalidade. É do Punjab mas vive em Lisboa a 8 anos. Trabalha nas docas num restaurante português, fala protuguês e veio de férias como eu, embora no caso dele a ver a familia. Isto é que é mesmo viver num mundo pequeno! Se calhar nem somso os únicos portugas on board!

Vou chegar daqui a duas horas a Delhi. Nao sei se tenho realmente Hotel marcado. Até tinha antes do meu voo ter sido cancelado. Entretanto até avisei do facto, para reservar para um dia mais tarde, mas não chegeui a receber resposta. Que s elixe. Apareço lá e pronto, deve haver algo livre. É no centro de Delhi. Tudo o que se quer deposi de dia e meio em viagem destas é uma cama e um banho. Resta saber que cama e que banho. Logo eu que até gosto de tomar banho de boca aberta, e na Índia nem uma gotinha de agua do cano posso beber!? Não há-de ser nada...

Estou finalmente a chegar a Índia. Era o que eu queria. Estou feliz.
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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Casa em Londres



Londres, decerta forma, é a minha rampa de lançamento para a Índia. O Yôga, o SwáSthya, também. A minha casa aqui foi o SwáSthya yôga. A egrégora, com a qual tenho uma relaçao de amor-ódio à minha maneira, mais ou menos civilizada e sóbria. Na casa aqui vivem 3 instrutores, entre os quais o Professor Gustavo Cardoso e sua esposa, a também instrutora Sónia. A todos muito obrigado, foi realmente um prazer partilhar estas duas semanas. Espero ter sido leve.
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domingo, 25 de janeiro de 2009

Portobello Road, Notting Hill

St Evans Road, no north Kensighton, é prependicular a Portobello road. Eu estou precisamente aqui. Uma zona residencial bastante central em londres. Não a melhor zona residencial, mas bastante perto de algumas das melhores (Holland Park e Souht Kensighton por exemplo, onde também estao alguns dos melhores museus da cidade)

Portobello road é actualmente conhecidissíma por causa da comédia romantica “Notting Hill”. Antes era uma rua mais. Um mercado mais, dos muitos que ainda existem pela cidade. Com mercados quero dizer feiras ambulantes. Claro que não sao daquelas feiras ambulantes em descampados dominadas por ciganos como ainda se vê em Portugal. Mas, também não é muito diferente. O que se passa é que aqui também há muitos feirantes ingleses, e de outras nacionalidades. Os chineses e ciganos acabam por ser apenas uns mais. E depois, estes mercados sao relativamente mais pequenos. Uma rua, por baixo de um viaduto, um cantinho qualquer. Alguns sao especializados em comida, outros em roupinhas e roupetas, outros têm um pouco de tudo. Este de Portobblelo road é desses que tem de tudo. Frutas e vegetais, comidas rápidas variadas, livros, velharias, roupas.... Dá colorido a rua. Como a rua ficou estrondosamente famosa com o filme é invariávelmente invadida por turistas de todas as partes. As mulheres chegam a delirar só de estar ali. Comprar uns oculos foleiros no mercado onde o Hugh Grant se passeava é outra coisa, outro charme. Tirar uma foto ali é agora tao tipico como no Big Ben. Ali e na livraria de viagens que serviu de inspiraçao ao filme, e que existe mesmo. É muito interessante ver uma japonesa ou italiana a tirar a sua foto toda emocionada. O romance é algo realmente forte, e é universal. Alimentamo-nos de emoçoes tanto ou mais que de comida própriamente dita. O certo é que a ru atambém tem uma série de cinemas, restaurantes, cafés e outras coisas que a fazem bastante agradável. Mesmo para mim que sou demasiado cinico para desfrutar destes fenomenos de moda emocional, histéricos e massivos...

O melhor de tudo é que aqui mesmo ao lado de casa, ao virar da esquina tem a pastelaria “Lisboa”, onde posso ir comer um belo pastel de nata! Um toque casa ao lado de casa. Estou mesmo bem.

Hoje o dia esta escuro e chuvoso. Depois de varios dias a praticar muito e a caminhar ainda mais pelos varios bairros e parques soberbos da cidade (ontem o parque-bosque de Hampstead) , montamos a sala para fazer ums bela tarde e noite de cinema, comer, e não fazer mais nada! Qualidade de vida...

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Como conhecer uma cidade?

Como conhecer uma cidade? É simples: isso é impossivel. Mesmo viva 50 anos em Lisboa nao vai nunca conhecer a cidade toda. Até porque tudo está sempre a mudar. E se digo Lisboa digo muito mais NY, ou Londres, Madrid, Sao Paulo, Buenos Aires ou Beijin! O que um turista faz habitualmente é procurar ficar com uma vaga ideia. E mais vaga ainda porque costuma ter pouquissímo tempo e investe-o a querer ver o máximo possivel. Assim, acaba por fazer os intensivos roteiros dos guias turisticos, batendo os locais mais históricos e tipicos. Típicos principalmente para turistas! Ok, nada contra. Eu, como turista, ás vezes também embarco (parcialmente) nesses raides intensivos. Mas sempre que posso escapo.

O primeiro passo dou-o, em geral, antes mesmo de chegar ao lugar. Consiste em saber e aceitar que nao vou conhecer a cidade toda. Nem quero. Aliás, nem toda nem sequer uma minima parte. Tendo essa primeira parte sido estabelecida o segundo passo dá-se com naturalidade: relax! Nao vamos a algum lado para stressar. Se nao conhecer nada incrivel...nao conheço! Algumas das minhas cidades preferidas nem sequer têm nada de especial para ver ou fazer. Mas têm pessoas, têm um ambiente, um estilo de vida, algo que agrada. E é precisamente isso que procuro descobrir: as pessoas e o seu estilo de vida. A Vida das pessoas nao costuma ser feita de “incrivéis” e “fantásticos”, e sim de normalidades, rotinas, hábitos, etc. É isso que quero conhecer. Os hórarios, os trasportes, que supermercados frequentam, quais e como sao as escolas dos filhos, que tipo de roupa vestem, como se divertem, como descansam, que Tv vêm....

Sempre que posso viajo a trabalho. Prefiro viajar a trabalho do que como mero turista. E sempre que vou de turista, como agora estou, procuro integrar-me de alguma forma na rotina de quem nao o é. Ou seja, tento ficar com amigos e ou colegas que vivam no lugar, e de alguma forma integrar-me no seu trabalho, afazeres, diversoes, etc. Por sorte sou professor de yôga, de um yôga que tem faz enfase num conceito fantástico e terrivel chamado: egrégora. Egrégora é a força de grupo, a dinamica do grupo, o grupo. Na pratica isso permite-me conhecer gente em bastantes sitios e saber que conto com alguma receptividade porque todos temos algo em comum. E ás vezes até é mesmo amizade.

O yôga ensina a concentrar-nos. Eu gosto de yôga, os seus conceitos, conselhos e praticas fazem sentido para mim. Tento aplicar o yôga em tudo o que faço. E talvez por isso dediquei-me ao próprio yoga. O circulo fecha-se. O Yôga ensina-nos a concentrar num único ponto, focar, estabilizar, manter estável, e desse foco estável, surge o conhecimento. Da concentraçao, que aparentemente diminui o movimento, acaba pro surgir algo mais profundo, que está para além da superficialidade. Neste caso da superficialidade dos roteiros turisticos. Assim, viajo com o foco no próprio yôga. Estou principalmente com professores e alunos de yoga. Vou a escolas de yôga. Pratico yôga. E assim acabo por conhecer gente através do yôga. Gente da mais diversa, gente local, gente real! Sobretudo evito ver só outros turistas, todos a fazer o mesmo programa alienado da realidade quotidiana. Ao procurar as escolas, ao visitar os amigos, ao seguir com eles as suas rotinas acabo por conhecer muito melhor a cidade e suas gentes. Pelo menos conheço relativamente bem algumas das pessoas e actividades.

E assim tenho andado. Dormo, como, descanso, vejo Tv, navego na internet, vou a escolas de yôga, pratico, medito, vou as compras, ajudo nas rotinas da casa, passeio... Estou ainda muito longe de ser um Londinense, e nem sequer tenho pretensoes a conhecer Londres. Mas estou contente, tranquilo e...feliz. Logo eu que nem acredito em felicidade!
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