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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Experiências espirituais


Quem me conhece bem, principalmente quem me conhece a mim e ao meu mundo do yôga bem, sabe que uso o termo espiritual de forma irónica e provocadora. Provocadora para com o meu próprio mundo do yôga, provocadora para mim mesmo, ironica para quem não me conhece assim tao bem, e por isso nem sequer pereceb a ironia.

Não me considero uma pessoa espiritual. Nem não espiritual. Mas o que nao me considero e "espiritualista", alguem obcessionado com essa tal de espiritualidade, seja la o que isso for. O DeRose esta certo. A espiritualidade existe, está aí. É parte da existência, da consciência, da Vida. Como o corpo, ou as emoçoes... Mas ninguém anda por aí a dizer que é “corporal”, ou que vai fazer viagens “corporais”. Quem está sempre a falar do corpo sao as pessoas gordas ou doentes. É o mesmo da “espiritualidade”. Quem fala constantemente nisso é quem está com problemas na area. Senao a “espiritualidade” simplesmente está ali...

Mas no mundo do yoga a maioria das pessoas gosta de se dizer espiritual, que o yôga é espiritual, que a espiritualidade isto e aquilo e aqueloutro. A maioria das vezes nem sequre sei do que estao a falar. Estao a falar de filosofia, de religiao, de pensamento, de intuiçao, de intimidade, de Deus, do “si mesmo”, de tudo, de nada...de quem, de quê? Tenho a certeza de que a maioria das pessoas não faz a minima ideia, porque quando pergunto não conseguem responder.

Mas neste blog, só para chatear, vou também falar de espiritualidade, de viagem espiritual, de yôga como algo espiritual, de eu ser espiritual...é uma mini libertaçao pessoal em relaçao a alguns preconceitos e condicionamentos. Rsrsrsrsrrs

Londres espiritual

Em Londres pratiquei bastante, intensivo mesmo. Muitas vezes duas x por dia, uma hora e meia cada pratica. SwáSthya, geralmente ao fim de tarde, e algo mais pela manha. Como do SwáSthya já estou farto de falar vou falar do resto. Mas continuo a achar que o SwáSthya é a melhor experiência de yôga que já tive até hoje.

Durante 10 dias fui todos os dias ao centro de Jivamukti Yoga em Londres. Além de ficar a 5 minutos a pé de onde estive a morar tinha curiosidade em conhecer proque é uma das escolas actualmente mais famosas. Um franchising em expansao pelo mundo. Tornou-se famoso nos anos 90 quando a escola de NYC (entao a única) acolhia frequentemente gente conhecida do mundo do cinema e música, como Sting, Madona, Shara Jessica Parker e outros. Com essa publicidade e com a explosao de numeros no mundo do yoga ocorrida desde 2000 a escola tornou-se uma empresa, internacionalizou-se, e está hoje presente nas principais capitais mais ricas do mundo. É uma escola de ambiente agradável, em algumas coisas até parecida com o SwáSthya, que organiza workshops regularmente, faz sat sangas, e tem uma prática simples, adaptada e simplificada do Ashtanga “vinyasa” yoga, não seguindo essa pratica a rigor, o que, na minha opiniao é um ponto positivo a mencionar. O promenor que achei mais interessante é que no começo da classe e no fim, durante o relaxamente/descanso em shavásana (não tem yôganidrá) os instructores passam nas costa e depois no pescoço, de uma forma massageante, um creme relaxante (ou estimulante, nem sei bem) daqueles que deixa uma sensaçao intensa de frescura, e sobretudo um cheiro muito agradável. Tendo em conta que a pratica faz suar imenso é um aroma e frescura bem vinda. E quando estamos deitados no fim a relaxar a sensaçao é fantástica. Não tem nada a ver com yôga própriamente dito, mas sabe bem. E uma parte significativa dos (dAs) alunos compram o dito creme á saída da escola... O problema destas escolas, com este tipo de pratica, é que ao fim de 10 dias eu já sabia a pratica dememória, e começou a ser repetitivo. Por um lado é bom, porque dá para ir percebendo a evoluçao masi rápida e claramente. Por outro é extremamente limitado. Mas gostei! E recomendo, pelo menos que experimentem. De qualquer forma, em Londres como em boa parte do mundo, 90% do yôga é Iyengar, Ashtanga “Vinyasa”. Ou uma adaptaçao e mistura desses. Ou Bikram. Ou seja, tende a ser muito repetitivo, muito focado no fisico, e encarado como fitness. Para mim não chega. Mas é bom conhecer... Estou plenamente convencido que o SwáSthya em Londres vai ter muito sucesso. A nível de pratica não tem comparaçao.

Delhi espiritual

Em Delhi só fui visitar uma escola. Fui visitar o Aurobindo Ashram, em south Delhi. Ou seja, o “Delhi branch”, pois o original é perto de Bombay, onde existe quase uma “cidade Aurobindo” chamada Aurobindoville. E existem outras “branch”. Este de Delhi também é enorme. Gigante! Não é uma escola de yôga. É um complexo urbanistico gigante, onde também se pode ir praticar ou estudar yoga. Mais própriamente o yôga ensinado pelo Aurobindo e a “mae” (a sua esposa), e pelos seus díscipulos. E que yôga é esse? É o chamado yôga integral. Integral no sentido do yôga que está em tudo, presente em todo lado, o tempo todo. E sobretudo nos actos mais cotidianos, rotineiros e politicos da Vida! Um dos lemas de Aurobindo e da “mae” era de que “contorçao não é yôga”. Por isso nem se praticava Hatha Yôga tradicional, com os tipicos ásanas. O que se fazia era principalmente tarefas sociais e educacionais, geralmente em grupo, principalmente dirigidas a crianças, o futuro da humanidade. Por isso, a parte menos importante do ashram sao as salas de pratica, essencialmente dedicadas a sat sangas e meditaçao, sendo as poucas (e suaves) classes de Hatha Yôga consideradas uma “concessao a pressoes exteriores”, ou seja, aos estrangeiros que vao visitar e residir no ashram. E esses estrangeiros sao importantes pois me parte sao eles que financiam tudo aquilo. Aliás, em parte sao estrangeiros que gerem também, sobretudo francofonos. O principal é a mega escola que o complexo contém, com jardins, hortas e instalaçoes desportivas incluidas (um luxo no meio de Delhi), e que dá educaçao a centenas (ou milhares, nem sei) de miudos indianos.

Aurobindo, que viveu parte da juventude na Europa, mais própriamente na França, ainda foi responsavel por introduzir o conceito ocidental de evoluçao no yôga moderno, acreditando que a Humanidade está a evoluir em direcçao a auto-consciencia total, uma iluminaçao global. E o Yoga é um meio e um fim nesse processo. O Aurobindo não foi apenas um Jñana Yogin, não foi apenas um lider espiritual, foi também um lider politico, que descobriu o yoga na prisao, quando participou de motins nacionalistas e independentistas nos quais o Gandhi também estev envolvido. Embora seja uma escola algo ocidentalizada, ela foi extremamente importante na Índia, e no yoga mundial, e em Delhi o Aurobindo até dá nome a uma das maiores avenidas da cidade, precisamente aquela onde está instalado o ashram.

Outro aspecto importante foi o protagonismo que “a mae” alcançou. Na realidade era a esposa, francesa, que era a máquina por detrás de tudo o que aconteceu, o Aurobindo quase nem saiu do quarto durante anos, onde se auto enclasurou a meditar e escrever, só saindo para dar o darshan (ser comtemplado), de vez me quando. O facto da esposa ter tanto protagonismo, assim como o facto de ser um yoga integral, que se descobre e revela em todas as coisas comuns e cotidianas fez com que este yoga fosse desde sempre assumidamente tantrico, e isso a certa altura era rompedor de preconceitos...

Quem quiser pode procurar mais nos seus sites, é interessante.

Varanasi espiritual

De Varanasi não tinha nenhuma referencia sobre escolas de yôga. Assim que recorri ao LP. Não é uma grande referencia em termos de yôga, mas é melhor que nada. Apontando a sorte poderia calhar entrar num daqueles centros onde esperam que turistas desavisadAs estejam "open minded" para clases e cursos de yoga "intimo", sexual, e sabe-se la mais o que! A verdade e que aqui na India ainda nao consigo discernir a spessoas e os locais pelo aspecto. Mesmo em casa e dificil, quanto mais aqui. Escolhi a sugestao da “Yoga trainning center” porque o sitio era bastante central e acessivel. Como vim entretanto a descobrir, a escola é dirigida por um professor e sua esposa, que também dao as aulas. Ele (não lembro o nome) que deve ter uns 35 a 40 anos, é encorpado (para um indiano), tem um bom ásana e ri muito, deixando frequentemente a mostra os dois dentres podres e pretos que tem mesmo a frente. Pelo que percebi é relativamente conhecido não só na Índia mas também pela participaçao em eventos internacionais de yôga. Não percebi quem é, ou foi, ou se teve, o seu mestre. Ela (não lembro o nome) deve ter uns 25 a 30 anos, pequena, simpática e boa de ásana também. A escola é essencialmente de Hatha Yoga, dando aulas de varios graus e estilos, e também formaçao a professores. Agora, se me estivessema contar isto eu já estaria a imaginar uma escola toda tradicional, provavelmente grandinha, com salas de pratica equipadas, enfim, uma certa sofisticaçao e tradicionalismo... Nada mais longe da verdade. Na realidade é só um terceiro piso minusculo e imundo de um prédio no meio de uma Varanasi ainda mais suja e congestionada. Teias de aranha por todo lado, pó também claro, de vez em quando vê-se um amacaco, ou um lagarto, ou um rato a passar pelas janelas, a maioria sem...janelas. Besuntar-se com repelente para mosquitos convém. A sala principal, de uns 25 a 30 metros quadrados, tem um “colchao” daqueles de pano redobrado no chao. E não se pense que ali se usam aspiradores. Directamente conectada a essa esta outra sala mais pequena, com de metade do tamanho e com um chao vermelho de uma material que aparente um dia ter sido alguma especie de tatami. Isso é a “escola”. Do lado de fora da sala, nos corredores de acesso ao ar livre deixam-se os sapatos, acessa-se o cubiculo onde se fazem as necessidades (sem lavatorio) e tem-se acesso ao quarto e cozinha da casa dos profs. Isto pode parecer tudo meio ridiculo, e pronuncio de que ali nada de bom pode haver. Mas estamos a falar de Índia, de Varanasi, onde é tudo assim, e as ruas estao ainda mais sujas e degradadas, e cheiram a merda. Por isso está dentro do contexto. Aliás, na Índia nem é o yôga-técnica que procuro, porque isso eu sei que no ocidente há mais e melhor. O que procuro é esse contexto. Quero ver a cultura onde o yoga se desenvolveu, ver o ambiente, os alunos, a forma como os professores de comportam, etc.. Se puder aprender algo de técnica melhor.

Esta escola (como a maioria) é especialmente orientada para ocidentias. Ainda mais sendo recomendada pelo LP! Quando cheguei para informaçoes estavam dois formandos a treinar uma sessao de Reiki! Sim, ali também se dao sessoes e formaçao de Reiki, que aliás etás um pouco por todo lado, sei lá proquê!? Isso sim, assutador... Um desses formandos era um jovem indiano com bom aspecto, e foi o unico aluno indiano que vi. O outro era um jovem austriaco, com aspecto meio hippiezado. Também vi uma terceira formanda, uma jovem venezuelana, que estava sempre muito compenetrada nas praticas. Passavam lá boa parte dos dias, a fazer todas as praticas. Em algum tempo obteriam o diploma de participaçao no “yoga teachers trainning center” e já poderiam chegar a Europa de diploma indiano na mao!

Eu fui primeiro a uma pratica da tarde chamada de "Hatha yoga tradicional", indicada para iniciantes. Estavamos 8. Começou logo com ásanas, feitos numa ordem que me pareceu não obedecer a nenhum critério especial. Mas foi forte, e gostei. Fizemos também alguns pranayamas. Fraquinhos. E depois veio a melhor parte, a meditaçao... Meditaçao do riso! !!! !?!?! Sim, meditaçao do riso, “instantanea”, “very good meditation”, “”let s fake it until you make it”. Eu nem estava a acreditar! Mas lá me ri, mas foi da cara do professor. Inacreditável. Eu sei que isto da “meditaçao do riso” não é novo, tem muitos adeptos, e ali pareceu-me uma coisa a lá OSHO. Mas em estava a acreditar. Foi uma paródia. Mas lá fiz, e ri, e foi divertido. Meditaçao mesmo nada, mas divertido foi. E gostei da aula, resovi voltar na madrugada seguinte para mais uma, supostamente de Ashtanga “Vinyasa” yoga. Voltei, estavamos metade dos do dia anterior, e mais uns 8 novos. Fui para a asalinha de trás, para o grupo do avançados. Os outros fizeram uma pratica do genero da do dia anterior, meditaçao do riso incluida. Nós ficamos com a esposa, que começou a dar-nos forte e feio nos ásanas, alguns repetidos. Não teve quase nada a ver com o conhecido “Ashtanga “Vinyasa” yoga”, mas forte e dinamico foi. Não foi nada de especial, mas até foi bom. Suei imenso, depois fizemos uns paranaymas , depois uma meditaçao esquisita... Ok, nem foi mau.

O melhor foi ver o ambiente. Uma coisa que tinha percebido logo na chegada a Índia, e no caso a esta escola, é que eles sao muito menos ortodoxos que os ocidentais. Eles não têm pudores nehnuns em adaptar, inventar, acrescentar, improvisar e brincar com o yôga. Básicamente fazem o que bem lhes apetece, assim que venda. E como sao indianos é yoga e pronto, ninguém discute. Depois aqueles formandos ocidentais que fizeram o “curso” de professores (básicamente consiste em ir as aulas) vao para a Austria ou Venezuela e ficam todos rigidos e hirtos, ultra ortodoxos, e dizem que tem de ser X e Y porque “eu vi na Índia”, “fiz curso na Índia”. Pois...

Nessa segunda prática conheci uma australiana de aspecto tailandes, e uns americamos e fomos tomar o pequeno almoço. Tinha percebido que a americana, no minimo, já tinha praticado. Em conversa logo nos confessamos, ambos professores de yoga lá na terrinha. Rsrsrsr Acabamos por passar o dia inteiro juntos (os 4) e percebi que ela até tem um percurso bastante comum, parecido com o meu, cheio de ilusoes e desilusoes, periodos de grande envolvimento, entrega e pratica com outros de maior distanciamento e reflexao, etc. Apesar de ser uma judia Nova iorquina temso muitíssimo em comum, e adorei estar a conversa com ela.

Entretanto cheguei a Rishikesh, “capital mundial do yôga”, cheia de ashrams, gurus, “babas”, e praticantes de todo o mundo. Vou ver e depois conto mais.

Estou em Rishikesh! Estou mesmo...
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sábado, 7 de fevereiro de 2009

No limiar da sobrevivencia: experiência sentida

Recentemente um amigo londinense revelou-me um dado estatístico que dá que pensar: para que todos os habitantes da Terra actual vivessem segundo padroes de consumo dos estado-unideneses seriam necessários cerca de 3 planetas!

É um daqueles dados impressionantes que faz pensar algum tempo. Não muito. Não muito porque é um dado teórico, que não sentimos, não apalpamos, nao vivemos. Não a maioria de nós, no nosso mundo ocidental do norte, chamado o 1º mundo, que mesmo para quem não é rico ainda assim tem o básico. Mas o básico segundo que padrao?!

No nosso mundo rico, do qual nos queixamos constantemente, este tipo de dados é-nos trazido por entre torrentes de informaçao acerca das mil e uma desgraças do mundo, desgraças as quais nem registramos, porque sao muitas, constantes, rotineiras, e sobretudo longínquas. Sim, há sempre noticias de muita gente a morrer despedaçada por guerras, ou decomposta por doenças, ou sugada pela fome. Mas sao noticias, imagens sem cheiro, numeros sem tacto. Quantos de nós tem contacto directo com isso? Não sabemos, porque não sentimos. Não sentimos porque não vemos. Não sentimos porque estamos demasiado longe, tal como muitos outros deixam de sentir porque convivem, demasiado perto.

Segundo o último senso, de 2001, Delhi tem mais de 12 milhoes de Habitantes. E está em crescimento. Tal como se passou em Portugal entre os anos 60 e 90, e tal como na maioria do mundo actual, há imensa gente a imigrar dos campos para as cidades, principalmente para as grandes cidades, principalmente para as capitais. Vêm a fugir da pobreza (ou miséria) do trabalho agricola dos campos e aldeias. Ou da falta de prespecticas e oportunidades de realizaçao individual que esses lugares apresentam, e que o cinema e televisao sao tao habeis em propagandear, fazendo as pessoas sonhar , e o sonho faz as pessoas andarem...

Mas em Portugal essas pessoas alimentam bairros sociais, mais ou menos pobres, mais ou menos guetos. Alguns têm problemas com a droga (os bairros ricos também), as escolas onde vao sao ditas problemáticas, aparecem psicologos pagos pelo Estado para tentar solucionar alguma coisa, etc., mas não costuma haver muita fome. O que há é discriminaçao social devido a poderes de compra e nivéis culturais distintos. É dessa forma que definimos as castas na Europa. E sim, isso é tremendo, e até faz com que gente se prostitua e roube só para poder comprar uma roupa mais na moda, ou um carro mais impressioannate. E todos nos sentimos muito incomodados se não temos pelo menos um quarto só para nós. Queremos muito espaço, muita comida, muitas coisas... Mas vejamos o mundo.

No Brasil essas mesmas pessoas alimentam favelas, o crime organizado, muitos trabalhos muito mal pagos. É pior.

Em Delhi essas pessoas alimentam directamente as ruas da cidade. Habitam as ruas. Os cantinhos todos da maioria das ruas, especialmente as principais. E quando digo as ruas refiro-me aos passeios e estradas! Na melhor das hipoteses a um qualquer mini beco imundo. Há centenas de milhares (centenas de milhares) de pessoas a dormir no passeio em todo lado, a qualquer hora, inconscientes de toda a poluiçao de todos os tipos, que aqui é o normal. Todos os sitios têm gente na rua. Muita dessa gente não tem casa, vive ali mesmo. Come, dorme, compra e vende, trabalha, caga e tem filhos ali mesmo, no passeio, ou até na própria estrada. Alguns dormem tao despojados no cimento poeirento que parecem mesmo mortos. Alguns se calhar estao!

Há sempre muita gente, em todo lado, a fazer de tudo. Qualquer trabalhito que em Portugal é feito por pouquissímas pessoas, ou ate por uma máquina, aqui é feito por muita gente, gente que recebe por isso quase nada. E muita gente nem se percebe o que raios fazem. Creio que muitos não fazem muito mais que deambular! O trabalho, a Vida aqui tem outro valor. MUITO mais baixo. Quase nulo. E só assim se pode compreender que um gajo europeu de classe média e sem muito dinheiro possa vir cá e ter um taxi com motorista-guia à disposiçao 24 horas por dia. Custa menos que ir do aeroporto ao Marquês de Pombal... Esse motorista trabalha 7 dias por semana e se for preciso atravessa o país a passear o turista, seguindo os caprichos deste. Tem de alimentar a mulher e 4 filhos, e sente-se muito feliz porque não é um dos muitos sem casa, aos quais tenho estado a referir-me.

Ao ver isto em directo, in loco, ao tocar, cheirar e sentir, de repente os numeros ganham realidade, peso, emoçao. Só nao é mais porque é tao incrivel que nem dá para entender bem. Só não é mais porque temos capas emocionais protectoras que nos bloqueiam a empatia, para não sufocarmos! Ainda estou na fase em que tudo isto me parece algo surreal, diferente, até interessante, incrivel.

Se um Europeu mal (ou melhor, bem) acostumado como eu tivesse de repente que viver essa realidade por algum tempo, digamos que uns meses, acredito que o que aconteceria seria mais ou menos isto: 40% de possibilidades de morrer de alguma doença rápidamente. 40% de hipoteses de adaptaçao. Afinal o ser humano é incrivel na sua capacidade de adaptaçao e se sobrevivesse aos primeiros meses muito possivelmente até ficaria mais forte. “O que não mata engorda”. Ou ao menos talvez nos quiexassemos menos. Agora, a questao é? Será que isto vale realmente a pena que nos habituemos? 20% de possibilidades de suicídio! Porque ver e vaguear por perto disto não nos permite compreender a sério, nem muito menos suportar aquilo que é viver assim. Se é que isto é viver. Não, não é, isto é sobreviver. No limiar da sobrevivencia.

Agora sim, isto dá que pensar! Porque dá para tocar e sentir.
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Estou na Índia. Chegada e Delhi.

Quando cheguei a Sao Paulo, no Brasil, ia assustado. Ia sozinho, tinha passado o mês anterior a sofrer uma pequena lavagem cerebral de muitos conbhecidos que me “bondosamente” me avisavam de todo tipo de perigos que o Brasil oferecia, do tipo “cortam-te os dedos para te roubar os anéis”. A minha maneira, cheio de descontraçao e estupidez natural, pouco ou nada preparei. É perguiça e desleixo mesmo. E optimismo e excesso de confiança. Em geral acho que tudo vaio correr pelo melhor, e o melhor é ir e logo se vê, tudo se resolve... E resolve mesmo, mas isso tem um preço. E geralmente é bastante fácil de contabilizar, porque é monetário. Quando cheguei a Sao Paulo era Domingo pelo que estava quase tudo fechado. Pelo menos a escola de yôga onde eu ia fazer o estágio profissional estava fechada, assim que não havia possibilidades de orientar-me por lá. Infelizmente tinha-me esquecido da direcçao da casa onde ia ficar. E do numero de telefone! Assim que vi-me atirado para o meio da rua naquela que para mim era, por preconceito, uma cidade infernal! Quando me apercebi da situaçao fiquei com MUITO medo. A minha reacçao ao panico foi simples: olhei em volta, procurei um Hotel com bom aspecto e entrei nele. Felizmente estava num dos melhores bairros da cidade (o que, pelo aspecto, eu não diria) e mesmo em frente a um dos melhores hotéis, um de 5* que eu já nem me lembro o nome. Entrei e pedi um quarto, tomei banho e imediatamente senti-me bem. Baixei ao bar, pedi acesso a internet e logo encontrei on line a dona da casa onde ia ficar. Afinal a casa era na mesma rua do Hotel, a um quarteirao de distância! Menos de dois meses depois tinha percorrido sozinho e a pé muitos Km de ruas más e muito más da cidade, sem grandes receios e sem que se passasse nada.

Ontem de madrugada cheguei a Índia.

Sobre a Índia nunca ouvi grandes histórias de violência. No entanto, sobre Delhi, quase só ouvi coisas do tipo: “é asqueroso”; “é horrivel”; “fiquei um dia e fui logo embora”; “cuidado com os pedintes e pequenos furtos”. Diga-se que a ideia de ficar sem $ e documentos (passaporte) na índia é assustador. A isto juntam-se os mil e um avisos sobre os cuidados a ter com a água, comida, mosquitos e mais um sem fim de doenças tropicais, sazonais, e outras tipicas do mundo mais imundo. MUITO mais imundo. Depois de cerca de 36h acordado, 10h num aeroporto, e uma viagem de 8 horas de aviao, qualquer um sonha com um bom quarto, limpo e seguro, uma cama, uma refeiçao e um bom descanso. Isso pode até tornar-se uma obcessao que atalha quaisquer outros pensamentos e a própria capacidade de pensar racionalmente. Quando cheguei meti-me num taxi em direcçao ao centro. Um velho Ambassador que começou a serpentear pelas estradas de modo frenético comunicando-se alegremente com a buzina a cada 10 segundos com os outros muitos milhares de conductores maniacos que abundam actualmente na Índia. Só me lembrava que o Hotel onde supostamente eu tinha uma reserva era em Connaught Place, que eu imaginei ser o centro, e efectivamente é. Do Hotel nem me lembrava o nome, pelo que disse ao taxista , o mais confiante que consegui, para me levar ao centro, na esperança que ele não topasse que eu não fazia a minima ideia de onde estava e para onde ia. Perguntou-me logo se era a primeira vez na Índia? 2ª disse eu sem hesitaçoes. Parece que deu mais ou menos certo, deixou-me no sitio certo. Não sem antes tentar levar-me várias vezes a aceitar sugestoes e contactos de hoteis para ir. Até me passou para a mao o telefone ligado para eu falar com alguém com quem ele estava em contacto, o que eu recusei com um misto de (pseudo) desinteresse e desprezo. Estava básicamente armado em bom. A esta altura já estava impressionado com o aspecto da cidade. Mesmo com pré-aviso impressiona. Infelizmente não estudei minimamente “O livro” do viajante na Índia (o Lonely planet) que, depois li, avisa para ter cuidado com os muitos agentes de turismo que se anunciam oficiais (“work for goverment, no comissions”), mas que não sao, e que estao prontos para nos “dar” toda a ajuda que precisemos. Depois de 5 segundos (!!!) de sair do taxi já tinha um fulano de aspecto duvidoso a querer levar-me para um “Official Turist Office, right here, come come”. Como 5 segundos foi o que demorei a entender que afinal aquilo que no mapa parecia uma pequena e tipica praça cental de uma cidade era na realidade um gigantesco, caótico, sujo, barulhento, cheio de transito e aparentemente labirintico conjunto de avenidas que realmente fazem uma volta parecida a um circulo, circulo que no mapa parece uma praça central. É central, mas não é bem uma praçazita. Como percebi instantaneamente que jamais iria encontrar um Hotel que eu nem me lembrava o nome, deixei-me rapidamente ceder ao convite deste senhor. Nesta agência de turismo “oficial” (na realidade, oficial mesmo, e recomendavel, só existe uma agência, a que recomenda o LP) fui bem rebecido por uma elegante jovem Sikh que me tranquilizou rapidamente e em 5 minutos me preparou um percurso turistico completo para os 10 dias que eu tenho antes de Rishikesh.

O meu plano era simples: Delhi de passagem, Agra por obrigaçao, para tirar a inevitável foto do Taj Mahal, e só porque está a meio caminho para a mitica Varanasi (antiga Benares), onde ficaria mais uns dias apreciar os Ghats e tudo o mais que houvesse para ver nessa cidade onde domina o culto a Shiva nas margens do Ganges. Mas nao sei como, talvez devido à junçao de cansaço e medo, ou à simpatia e competência deste boy, 10 minutos depois tinha aceite comprar um plano turistico de gama média (ou seja, não ia ficar com os backpackers) passando 3 dias por Jaipur no RaJasthan com direito a passeio em elefante, pelo meio mais outra cidade que nao lembro do nome antes de Agra , depois Agra, só depois Varanasi, e entao comboio para norte directo até Hardiwar, já mesmo ao pé de Rishikesh. Vá lá ainda tive lucidez para recusar um mini safari atrás de Tigres num parque qualquer na zona de Agra! O plano incluia os Hotéis, taxis e rishikaws em todo lado á minha espera e disposiçao, e os bilhetes de comboio. Só teria de pagar extra a alimentaçao e as entradas nos monumentos. E as gorjeta que achasse devidas. Felizmente os meus cartoes Visa não funcionaram direito e só pode pagar parte do total no acto de compra. Isso permitiu-me voltar hoje e renegociar o tour, tirando todo o Jaipur, aumentando um dia aqui em Delhi, e diminuindo a conta a pagar. Ou seja, voltei ao plano original da minha cabeça, embora um pouco mais caro e menos auto-suficiente do que o imaginado. No entanto, verdade se diga, este plano mesmo assim tem um custo aceitável. Se o fizesse eu talvez o fizesse por menos uns 200 euros, mas com muito mais insegurança e sobretudo com muitas perdas de tempo na compra de bilhetes, marcaçoes de hoteis, achar hoteis decentes, etc. Assim vou a muitos mais sitios, muito mais rápido e muito mais seguro. Basta-me dizer ao meu motorista, o Raj, onde quero ir, ou simplesmente aceitar as suas indicaçoes, todas elas préviamente estudadas e que incluem lojas e restaurantes onde não tenho nenhum interesse em ir, mas que lhe dao comissoes a ele, ou pelo menos ao patrao dele.

O Raj, o meu motorista-guia desigando tem 38 anos, é hindu, originário de uma aldeia qualquer no Rajasthan, casado e com 4 filhos. É analfabeto, mas fala, além de Hindi e Rajasthaní, ingês e até umas palavras de japonês. Aprendeu com os turistas. O proximo passo dele, se continuar a acumular bom karma, é comprar o próprio Taxi, que por aqui costumam ser Suzukis, Toyotas ou Tatas, a maioria minusculos e quadradinhos, aqueles utilitários de gama mais baixa que também temos na Europa. Delhi está cheia deste tipo de carros a circular por todo lado, parecendo seguir apenas uma regra básica de transito: não chocar! Mas chocam. O Raj faz rezas e adoraçao (pujas) a Durga em busca de Poder. Secundáriamente também a Ganesh (boa sorte), e a Parvatí (prosperidade). Veja-se como a famosa “espiritualidade hindu” convive harmoniosamente com o mais puro materialismo. É gordinho e simpático. Hoje deu-me uma dica boa de restaurante aqui mesmo ao pé do Hotel Blessings, e sobre como obter bilhetes de comboio sem ser roubado por oportunistas (como os da agência para quem ele trabalha), na estaçao de comboios de Nova Delhi (por distinçao de Old Delhi), a mais importante, também aqui ao lado do meu Hotel. “Don t tell my boss, or will get fired!”. Ok. “Please don t say my name, please don t tell my boss.” Ok, ok. Fez-me logo as perguntas tipicas que qualquer indiano faz a um estrangeiro: Frist time in India? How long wiil you stay? Where do you go? How old are you? Are you married? Have children? Where is your wife? What is your profesion?. Isto sao as perguntas tipicas, quase oficiais, feitas não só para ser simpaticos e meter conversa, não só para saber o quanto podem sacar de nós. Essas perguntas, principalmente as relativas a familia e trabalho, sao as perguntas fundamentais da Vida para um indiano, e fazem-nas por genuina curiosidade. Aliás, sao em geral muito simpaticos, não só por necessidade, mas também por educaçao. É falta de educaçao não responder, e é de bom tom perguntar o mesmo ao inquiridor. Podem até perguntar quanto $ ganhamos, e acham sempre muito estranho sermos casados e não termos filhos.

Ontem, ainda no mesmo dia em que cheguei, depois de um curto sono e banho, o Raj levou-me a South Delhi a ver o “mini” Taj Mahal, anterior e inspirador do de Agra. É também um tumulo muçulmano. E se este é o mini tenho mesmo que ir ver o macro! Depois, ainda no Sul de Delhi fui ver outro monumento qualquer que nem sei bem o que era. Nas realidade ainda estava deslocado, cansado, algo receoso, a adaptar-me ao facto de que estou na Índia! ESTOU NA ÍNDIA!

Hoje de manha (5ª, dia 5) ia sair cedo para explorar a Old Delhi. Comi cuidadosamente o pequeno almoço. Ou seja, comi o pao das sandes de vegetal, e bebi agua mineral devidamente engarrafada ( é a única opçao se exceptuarmos a Coca Cola). 5 minutos depois senti um acesso de vómito! Um minuto depois senti outro. !!! Numa fracçao de segundos revi mentalmente todos os relatos que dizem ser muito comum uma intoxicaçao alimentar acontecer e provocar vomitos, diarreias severas e até desinterias de vários tipos. Coisa para passar uma semana de baixa atrelado a uma sanita! Ao terceiro acesso de vómito não hesitei, e provoquei o vómito sem mais demoras até ter a certeza de que tinha deitado fora absolutamente tudo o que tinha comido. Bebi 1 litro de agua mileral. Descansei um bocado na cama e umas horas depois estava aparentemente bem. Até agora. Deve ter sido só um susto. E que susto!

Old Delhi.

Hoje tinhamos ficado de ir a Old Delhi, a antiga e mais tardicional Delhi. A primeira paragem, a meu pedido, foi uma grande mesquita que ali há. Não sei os nomes, mas esta tudo na internet. Depois foi o Red Fort, que esta mesmo ao lado. Tudo isso faz parte da era muçulmana da Índia que foi a que deixou mais arquitectura em pé até aos nossos dias, mas para falar a verdade não me impressionou muito. Gostei mais de ter andado de bici-rikshaw pela primeira vez. Sim, com um transito absolutamente infernal há volta! Depois, enquanto o gajo que pedala o rikshaw e o Raj esperavam a minha volta, cada um no seu ponto de entrega, aproveitei o facto de estar sozinho para explorar um pouco as reulas de Old Delhi. O Raj não é nada entusiasta de me ver a andar sozinho seja lá por onde for, muito menos nas ruas estreitas, labirinticas e hipercongestionadas de Old Delhi- “If you desapear i lose my job”. !!! Por muito simpático que ele seja eu prefiro não desaparecer pelos meus próprios e óbvios motivos! Antes de me deixar ir no Risksaw disse-me varias vezes “be careful, ok?” Ok, mas estava a começar a sentir-me mais adaptado e relaxado. Estava a começar a desfrutar. E o que me interessa relamente não é ver monumentos e sim “the real Índia”, a vida diária, as ruas onde isso acontece. E onde melhor que Old Delhi? Vi um pequeno grupo de turistas ocidentais e discretamente segui-os. É incrivel como ver turistas ocidentais (menos do que esperava. Ou não ficam muito em Delhi, ou até sao muitos mas no meio de tanto indiano quase nem se vêm) me dá sensaçao de segurança. Ilusória diga-se de passagem. De que raios é que valem 2 ou 3 ocidentais desconhecidos e perdidos no meio de multidoes imensas de indianos em ruas estreiras e labirinticas? É curioso que no Brasil eu passava perfeitamente por mais um, e isso dava-me liberdade, a liberdade de passar discreto. Aqui sou um turista ocidental, sem a menor duvida! Talvez por isso não consegui atrever-me a adentrar muito as ruas de old Delhi sozinho. Uns 200 metros para dentro e senti-me completamente desamparado. Mais 2 ruas e novas tentativas de penetraçao depois voltei atrás contente por este primeiro passo de rebeliao contra os esforços dos meus organizadores de viagem. Disse ao Raj que amanha quero voltar. Ele disse que sim, claro, mas com aquela expressao tipica de quem diz, depois veremos, hei-de levar-te para outro sitio, verás. Rsrsrsrs

De volta ao centro, a New Delhi pois pedi-lhe que me levasse a algum templo de adoraçao a Shiva. Sim, claro, disse ele, mas afinal era um templo de adoraçao a uma dezena de deuses, tudo (mais ou menos) limpinho, bem decorado, cheio de visitantes mais que de peregrinos e devotos.

Como a jeito de compensaçao liberou-me (e a ele próprio) para noite, dando-me indicaçao de uma zona perto e boa (“full of tourist”) para jantar mesmo aqui ao lado do Hotel e ao lado da estaçao. Na realidade é o bairro ende estou, mas eu só tinha visto a minha rua, cheíssima de gente como todas, mas aparentemente não muito frequentada por turistas. Ledo engano, na esquina da rua que dá para a estaçao dei com um mundo hipercolorido, hiperactivo, ao estilo Old Delhi, cheíssimo de lojas de tudo e mais alguma coisa de com muitos hóteis e restaurantes, incluindo uma boa dose deles nitidamente dirigidos ao turista que por aqui sao bem visivéis. É uma especie de sitio para receber e despedir do turistas que vêm a Índia, pois é muito perto do centro e mesmo em frente a estaçao. Estou bem situado afinal de contas. Não que a zona seja “fina”. É suja, barulhenta, cheia de gente e caes vadios, corre-se o risco de ser atropelado a qualquer momento, mesmo ali, numa rua estreira, esburacada, enlameada, mal cheirosa e cheia de movimento a pé! Segura, apesar de se verem bastantes turistas ocidentais, também não deve ser, porque o Raj disse-me “be careful ok?” Ok. Mas é uma zona boa para o turista se hospedar, sair a noite, comer e dormir. Tem ali (aqui) vários sitios recomentados pelO Livro.

Já vi prédios dominados por macacos, e cabras, vacas e elefantes a vaguear no meio da rua. Hoje de manha ao pequeno almoço uma vaca ocupou insistentemente a entrada do restaurante a pedir comida. Ainda não acho normal. Viro-me e páro para ficar a olhar. É outro conceito quanto a organizaçao, higiéne, saneamento, potabilidade, etc. Um Europeu diria que pura e simplesmente não existe cá nada disso. Ainda não acho normal. Gente a dormir no passeio em todo lado, a qualquer hora, inconscientes de toda a poluiçao de todos os tipos, que aqui é o normal. Para mim ainda não. Todos os sitios têm gente na rua. Muita dessa gente não tem casa, vive ali mesmo. Come, dorme, compra e vende, trabalha, caga e tem filhos ali mesmo, no passeio, ou até na própria estrada. Alguns dormem tao despojados no cimento poeirento que parecem mesmo mortos. Ainda não acho normal. Mas agora que já começo a adaptar-me e a relaxar estou a gostar. Não da pobreza. Nem sei bem de quê. Talvez porque que é diferente. Talvez porque eu queria ver algo diferente. Talvez proque eu queria muito vir a Índia. Estou cá . ESTOU NA ÍNDIA. Estou feliz. E o resto logo se vê. Tudo há-se resolver-se e correr pelo melhor!
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Índia -Turismo Espiritual

(há uns 3 anos escrevi)

Gostava de ir à Índia.

Sei que aquilo está mais cheio de miséria, crendice, vigaristas e que qualquer outro pais do mundo. Sei que seria mais um ocidental a alimentar essa histeria.

Não iria em busca do Yôga que está em mim. Ou Mestre, que já escolhi. Não iria em busca de iluminação que...

Não iria para praticar, nem para estudar, nem conhecer nada nem ninguém em especial. Sem esperar revelação alguma. Nada que não possa ler em livros e coisas que tais. Talvez um pouco do folclore, cuja cor e o som só ao vivo têm encanto.

Então ir para quê?

Pelo mesmo motivo que o emigrante volta ao seu país. Por nostalgia. Neste caso cultural. Um misto de encontro com as origens e oportunidade de mostrar o sucesso conseguido “lá fora”.

E porque sou curioso. E porque gosto de viajar. E porque queria lá fazer umas compras.

No fundo quero fazer puro turismo. Turismo espiritual.

Hoje o essencial mantém-se. Alguns pormenores teria de mudar. E o que é a vida senão um grande amontoado de pormenores? Mas os desejos tendem a concretizar-se, não sei se feliz se infelizmente. Agora não trocaria esta viagem por nada!
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